Bolhas de rocha ultra-quente no interior da Terra desafiam cientistas

Abaixo da África e do Oceano Pacífico, entre o manto e o núcleo do planeta, estão mega estruturas que pesquisadores acreditam ser restos da colisão da Terra com um objeto do tamanho de Marte

Renato Mota 14/01/2020 15h01
LLVP
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O interior da Terra é um local quase tão inexplorado quando o espaço exterior. Os cientistas têm alguma ideia do que se esconde por baixo da nossa crosta, mas novos estudos frequentemente revelam estruturas que ainda são um mistério para os pesquisadores. Como, por exemplo, as duas enormes bolhas de rocha ultra-quente que estão abaixo da África e do Oceano Pacífico.


Tão grandes que afogariam a superfície do planeta em um oceano de lava a mais de 100 quilômetros de profundidade, as bolhas já são conhecidas dos geólogos há décadas, mas tecnologias recentes permitiram um melhor mapeamentos das estruturas. Eles se escondem onde o núcleo de ferro fundido da Terra encontra seu manto rochoso, flutuando como mega continentes.

“Essas são as maiores coisas do planeta”, disse Ed Garnero, sismólogo da Universidade Estadual do Arizona em entrevista à Quanta Magazine. Cientistas encontraram vestígios de rochas e isótopos antigos no magma que fluíram para cima a partir dessas bolhas - materiais quase tão antigos quanto a própria Terra e não encontrados em nenhum outro lugar do planeta.

Pesquisadores tentam descobrir se essas bolhas, que são chamadas de “pilhas termoquímicas”, são de fato feitas de algum material diferente do resto do manto da Terra, e se elas deixaram algum rastros em nossa superfície.  “Seria como ver um objeto no céu e perguntar: 'É a lua?' Não. É o sol? Não. O que é? Não sabemos", disse o sismólogo da Universidade de Maryland, Vedran Lekic, à Quanta.

Uma teoria é que as bolhas poderiam ser fragmentos de um objeto do tamanho de Marte que colidiu com a Terra. Elas teriam se formado quando todo o manto inferior era um oceano de magma, logo após o nascimento do planeta. “As rochas começaram a esfriar e a cristalizar, mas o ferro permaneceu derretido no oceano magma”, explica Nicolas Coltice da École Normale Supérieure, em Paris.

Então, quando os últimos resíduos de magma se cristalizaram, eles eram tão densos e ricos em ferro que afundaram no fundo do manto, formando as bolhas. E de lá os resíduos teriam aguentado o maior cataclismo do planeta: um impacto hipotético com um corpo do tamanho de Marte chamado Theia, que deu à luz a lua. Especula-se que as pilhas densas e distintas podem até ser fragmentos da própria Theia, enterrados para sempre na terra profunda.

Via Futurism/Quanta Magazine

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