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China não é o único país que pode espionar pessoas, diz executivo da Huawei

Daniel Junqueira 30/06/2020 21h20
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Em entrevista a podcast, chefe de segurança da Huawei dos EUA disse que banir empresa do 5G não vai impedir que governos vigiem usuários

Banir a Huawei de fornecer componentes para as futuras redes 5G não vai impedir que governos continuam espionando pessoas. É isso o que um executivo da Huawei dos EUA defendeu, ao atacar a campanha do presidente Donald Trump contra o uso de tecnologia da fabricante chinesa nas redes de telefonia móvel.


Andy Purdy, chefe de segurança da Huawei Technologies USA, comentou as tensões geopolíticas que colocam a empresa contra os Estados Unidos em uma entrevista ao podcast CYBER, do site Motherboard. Ele defendeu que a China não é o único país a espionar outros, e lembrou que os Estados Unidos estiveram envolvidos em um escândalo de vigilância poucos anos atrás.

"Existem pelo menos cinco nações no mundo com a capacidade de implantar funcionalidades escondidas e malwares em hardware e software. Então, se for esse o caso, bloquear a Huawei não vai resolver o problema", explicou, lembrando em seguida do escândalo de espionagem da NSA, quando empresas dos EUA forneciam acesso ao governo norte-americano com a implantação de backdoors em dispositivos.

"A situação dos backdoors nos produtos da Cisco [uma das envolvidas no escândalo da NSA]. A questão é, a Cisco deu permissão [ao governo dos EUA]? Ou o governo dos EUA hackeou usuários? O que quero dizer é que, eu não sei. De certa forma, pouco importa," concluiu.

Purdy também defendeu a Huawei de acusações feitas por Eric Schmidt, ex-CEO do Google, que disse que informações de roteadores da Huawei acabam nas mãos do que parece ser o Estado chinês. O executivo quer que o Schmidt apresente provas das acusações. "Ele alega que nossos roteadores têm esses problemas, aconteceu isso, e estamos no mundo inteiro. Então fale mais," disse.

Entenda o caso

Diversas operadoras e até órgãos governamentais temem que a Huawei abra portas das redes 5G para espionagem por parte do governo chinês. O presidente Donald Trump, por exemplo, colocou a fabricante em uma lista negra de comércio, dificultando os negócios entre a Huawei e empresas norte-americanas.

A pressão, no entanto, não vem surtindo muito efeito no Brasil, que, até o momento, liberou a participação da Huawei na instalação das futuras redes 5G do país. As operadoras brasileiras inclusive temem que um bloqueio da empresa afete diretamente o fornecimento de equipamentos por aqui - o que pode aumentar o preço de implementação das redes.

Via: Motherboard

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