Cientistas do MIT criam material ‘mais preto do mundo’ por acidente

Absorvendo 99,995% da luz atirada em sua direção, ela faz com que objetos tridimensionais pareçam perder sua forma
Renato Santino 13/09/2019 18:01, atualizada em 13/09/2019 18:05
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O MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) anunciou nesta semana algo que deve agradar aos góticos de plantão: os engenheiros da instituição conseguiram criar o material mais preto já visto, 10 vezes mais escuro do que qualquer outro material já produzido pelas mãos humanas.

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Utilizando nanotubos de carbono alinhados verticalmente criados sobre papel alumínio, os cientistas conseguiram criar um material que absorve 99,995% da luz que é apontada para ele em qualquer ângulo. E o mais interessante: tudo isso foi feito por acaso.

Os pesquisadores estavam trabalhando em outra coisa quando fizeram a descoberta. A ideia era criar nanotubos de carbono sobre materiais com boa condutividade, como é o caso do alumínio, para melhorar suas propriedades térmicas e elétricas. No entanto, o resultado do experimento acabou surpreendendo os cientistas, que só perceberam o que tinham em mãos após a medição da refletância óptica.

Por enquanto, o material ainda não foi usado com uma finalidade prática, mas já foi aplicado em uma exposição artística. A peça, chamada de “A Redenção da Vaidade”, exposta na bolsa de valores de Nova York, mostra um diamante amarelo de 16,78 quilates que foi completamente coberto com o material. Como resultado, a pedra, avaliada em US$ 2 milhões, aparece apenas como uma mancha preta plana no ar, como se seus contornos tivessem sido achatados. É a imagem no topo da notícia; se você não consegue ver o diamante na parte direita da imagem, tente ajustar o brilho e o contraste da sua tela.

Existem aplicações práticas, no entanto. Telescópios, por exemplo, podem se beneficiar do material para reduzir ao máximo os reflexos indesejados, o que pode ajudar a descobrir exoplanetas. Quanto mais preto, menos luz refletida, e menos interferência na imagem.

A busca pelo “preto mais preto” ganhou mais notoriedade nos últimos tempos graças a uma outra empresa chamada Surrey NanoSystems. A empresa tem em suas mãos um material chamado “Vantablack”, que chega a absorver 99,96% da luz jogada em sua direção. Recentemente, a BMW anunciou um carro coberto com esse material, criando uma sensação “2D” ao veículo.

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Renato Santino

Renato Santino é redator(a) no Olhar Digital

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