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Cientistas planejam estação para reciclar lixo na órbita da Terra

Henrique Freitas, editado por Rafael Rigues 05/08/2019 08h30
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Lixo espacial é grande responsável por colisões entre satélites, que poderiam levar a situações catastróficas no futuro

Com mais satélites e foguetes sendo lançados a cada ano, as colisões com lixo espacial estão se tornando mais prováveis. Há cerca de 22 mil objetos grandes orbitando a Terra, incluindo satélites em funcionamento (ou quebrados) e pedaços de foguetes antigos de expedições espaciais passadas. Se incluirmos todos os equipamentos lançados pelos astronautas no espaço e os pequenos detritos gerados pelas colisões de satélites, há cerca de um milhão de fragmentos de lixo espacial na órbita da Terra. 


Perder um satélite pode significar um sinal ruim de TV ou uma previsão do tempo um pouco menos confiável. Mas também pode significar que os aviões terão muita dificuldade para navegar corretamente e que as pessoas não estarão cientes de um tornado que está se aproximando. Logo, uma solução de longo prazo é mais que necessária para limpar o espaço.

O Gateway Earth Development Group é uma equipe de acadêmicos de universidades de todo o mundo que propõe transformar essa catástrofe em potencial em um recurso. O objetivo é colocar em funcionamento, em 2050, a Gateway Earth: uma estação espacial totalmente operacional com uma instalação para reciclar satélites antigos e outros tipos de lixo.

Órbitas da terra

Os satélites estão situados em duas órbitas principais. A órbita baixa da Terra (LEO) fica cerca de 200 km a 1.000 km acima da Terra e é onde a Estação Espacial Internacional orbita o planeta, juntamente com milhares de outros satélites. Aos 36 mil km, as forças que atuam nos satélites fazem com que eles permaneçam estacionados em sua órbita. Isso é chamado de órbita terrestre geoestacionária (GEO). Os satélites aqui estão estacionários acima de um único ponto na Terra, tornando-os úteis para previsão do tempo e comunicações.

A LEO é muito lotada, e o risco de colisões aqui é muito alto, o que poderia criar uma chuva de detritos e causar mais colisões, levando a uma reação em cadeia. Eventualmente, toda a órbita ficaria tão cheia de detritos que se tornaria inutilizável. Já há muito lixo saturando a LEO, mas a tecnologia está sendo desenvolvida e testada para removê-los. A situação é mais complicada para a GEO, no entanto.

Na GEO, quando um satélite chegam ao fim da sua vida, os proprietários tentam colocá-lo em uma órbita de "cemitério" mais alta, onde ele fica a uma distância de 300 km a 400 km de uma zona de proteção internacionalmente aceita. Mas apenas cerca de 80% de todos os satélites que chegam ao fim de sua vida na GEO chegam à órbita do cemitério. Os outros 20% precisam ser resolvidos com urgência – e é aí que uma instalação de reciclagem no espaço poderia ajudar.

Reciclagem no espaço

A órbita deste "cemitério" é efetivamente um ferro-velho abandonado sem zelador. Flashes brilhantes foram observados nessa região, o que os cientistas acreditam que sejam colisões entre satélites ou explosões de combustível não utilizado ou baterias degradadas. Esses detritos têm o potencial de retornar à GEO, ameaçando satélites por lá.

A lei atualmente não está do lado de uma solução coletiva para o lixo espacial. Mesmo que um satélite fora de controle esteja na rota de um outro em funcionamento, os acordos internacionais proíbem a ação de removê-lo sem a permissão do proprietário – mesmo que um drone espacial possa intervir e levá-lo à órbita do "cemitério".

Ao consertar, reutilizar ou reciclar satélites e "lixo espacial" em uma instalação na órbita da Terra, esse material poderia ser reaproveitado na construção de futuras naves espaciais ou postos avançados de exploração, como uma base na Lua. Usar o que já está flutuando significa que não há custos de lançamento. E o uso desses recursos reduzirá o lixo espacial.

Os próprios satélites inteiros poderiam ser levados por drones espaciais para o centro de reciclagem flutuante para um ajuste, se necessário. O fornecimento desses serviços pode gerar mais de US$ 8 bilhões por ano, mas tudo isso depende de uma revisão e atualização das leis espaciais. Felizmente, isso é algo que a ONU já está discutindo.

O Gateway Earth tem planos de gerar mais receita no futuro, agindo como um hotel espacial, uma instalação de construção de satélites e naves espaciais e um centro de abastecimento de naves espaciais. Nos próximos dez anos, estão previstos 150 novos satélites na GEO, o que aumentará significativamente o risco de colisão. E é bom que esta limpeza comece o mais rápido possível.

Fonte: The Next Web

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