Domínio .br

Domínio .br completa 30 anos: um dos mais densos e populares do mundo

Roseli Andrion 18/04/2019 18h20
Compartilhe com seus seguidores
A A A

De 1989 para cá, muita coisa mudou na internet. No Brasil, a evolução acompanhou o que ocorreu no mundo. Hoje, temos um domínio próprio bastante estável e resiliente. Saiba mais

O domínio .br acaba de se tornar balzaquiano: passaram-se 30 anos desde que, em 18 de abril de 1989, Jon Postel, da Autoridade para a Atribuição de Números para a Internet (Internet Assigned Numbers Authority - IANA), o delegou ao grupo que operava redes acadêmicas na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).


À época, essa era uma conquista importante. "Postel considerou que a comunidade brasileira já tinha maturidade para administrar o .br e o delegou", lembra Demi Getschko, diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), que era um dos integrantes daquele grupo. O domínio foi usado, inicialmente, para identificar máquinas no ambiente acadêmico: por isso, os registros eram poucos e feitos manualmente.

A criação do .br ocorreu apenas cinco anos após o estabelecimento dos primeiros domínios de topo (Top Level Domains – TLDs): em 1984, foram definidas as terminações “.com”, “.net” e “.org”, entre outras. Esse sistema de nomes de domínios (Domain Name System – DNS) foi criado para facilitar o uso da internet, já que, antes dele, eram usados números. Imagine se, para cada site que você visita hoje, fosse necessário decorar uma sequência de números?

Domínio de sucesso

O .br é operado pelo NIC.br e, hoje, é um dos domínios de topo para código de país (country-code Top Level Domain – ccTLD) mais bem-sucedidos do mundo. “Um dos motivos para isso é o fato de que fomos rápidos em trazer a internet para o país”, diz Getschko. “Com isso, o mercado floresceu. Se observarmos a linha do tempo da internet no mundo, a do Brasil é muito semelhante. Acompanhamos tudo sempre de muito perto.”

Dois anos depois do estabelecimento do .br, em 1991, já foi criada uma estrutura de subdomínios. Vieram, então, o gov.br, o com.br, o net.br, o org.br e o mil.br. Esses nomes são destinados, respectivamente, ao governo, a empresas, a organizações sem fins lucrativos e às forças armadas. Não é à toa que, hoje, em termos de máquinas ligadas a um domínio, o Brasil só perde para o Japão e para a Alemanha. “O .br é um domínio denso. Como não há espaço para especulação, quem registra um nome aqui o faz para efetivamente usar.”

Com a expansão da internet no país, a partir do fim de 1994, o registro de domínios .br cresceu rapidamente. Enquanto em 1995 foram registrados 851 nomes, em 1996, o número atingiu 7.507 registros. Dez anos depois, em 2006, chegou-se a 1 milhão de domínios registrados. Em 2010, já eram 2 milhões e, em 2012, 3 milhões. Agora, no aniversário de 30 anos do .br, já são mais de 4 milhões de nomes registrados — e isso coloca o .br entre os maiores do mundo.

No Brasil, 92% das empresas que têm site usam o domínio .br. Isso é um dos motivos pelos quais, entre os cerca de 300 domínios de país que existem, o .br é o sétimo mais popular — com o diferencial de ser restrito a indivíduos e empresas do país (é preciso ter um CPF ou um CNPJ para registrar um nome por aqui). Além disso, há mais de 120 opções de subdomínios: para interesses específicos, profissionais liberais, que identificam cidades e assim por diante.

Diferenciais importantes

O .br usa, como recursos de segurança, a autenticação em duas etapas, a resolução de DNS com garantia de segurança e a criptografia. Trata-se, ainda, de um sistema bastante resiliente, com inúmeras cópias de servidores no Brasil, nos EUA, na Europa e na Ásia. O preço de registro é um dos mais baixos do mundo: são R$ 40 por ano desde 2017, com descontos progressivos quando são contratados períodos maiores.

Isso é possível porque, no Brasil, o registro de domínio não dá vantagens a intermediários como acontece em outros países. “Somos ligados diretamente ao usuário final. É interessante que as restrições que estabelecemos poderiam afastar os interessados, mas elas foram muito bem vistas.” Getschko explica que o .br opera o chamado registro grosso (ou thick registry) — isso quer dizer que os dados registrados estão sempre com o NIC.br e o acesso a eles é bastante fácil.

Em termos técnicos, o domínio .br tem grande estabilidade. “Ele nunca saiu do ar”, orgulha-se Getschko. Se saísse, levaria consigo bancos, órgãos do governo, empresas, instituições acadêmicas e toda a estrutura da internet comercial brasileira.

Outra característica do NIC.br é o fato de que o órgão investe as receitas obtidas em ações para melhorar a internet no Brasil. Uma delas é o recurso de redirecionamento de página implantado recentemente: com ele, os usuários podem escolher uma forma estável para se identificar na internet e ainda conduzir seu público a redes sociais ou outros endereços sem perder a identidade original.

O .br é um patrimônio importante para o Brasil. O brasileiro é bastante aberto ao uso de novas tecnologias e abraçou a internet com vontade desde o início. Cada vez mais, entretanto, é preciso ter cautela ao usá-la. “O benefício da internet é muito maior do que eventuais problemas que ela possa trazer. Ainda falta maturidade, mas vamos ter de nos adaptar.”

Domínio 30 anos .br NIC.br
Compartilhe com seus seguidores
Você faz compras Online? Não deixe de conferir a nova extensão do Olhar Digital que garante o preço mais baixo e ainda oferece testadores automáticos de cupons. Clique aqui para instalar.

Recomendados pra você