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Entenda o principal problema de usar celulares Xiaomi no Brasil

Renato Santino 28/03/2019 19h50
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Aparelhos muitas vezes são importados sem cuidado com a compatibilidade com as redes de internet móvel do país

Nos últimos tempos, a Xiaomi se popularizou com o público brasileiro de uma forma que não aconteceu nem mesmo na época em que a empresa esteve realmente ativa no país. Os aparelhos importados começaram a cair no gosto dos compradores de smartphones, mas isso traz alguns problemas, especialmente no que tange a conectividade 4G dos aparelhos. 


Sim, ao comprar um celular que não foi pensado para as redes brasileiras, há uma questão de incompatibilidade que normalmente muita gente não percebe. E, de fato, muitos celulares da Xiaomi não são compatíveis com uma frequência específica do 4G brasileiro: a de 700 MHz. 

Antes de tudo, precisamos entender o que é o 4G brasileiro. Hoje ele é basicamente formado por três frequências principais: a primeira a ser implantada foi a de 2600 MHz, também conhecida como banda 7 (ou B7); na sequência vieram as outras, como a de 1800 MHz, ou banda 3 (B3) e a de 700 MHz, ou banda 28 (B28), que está em implementação após o desligamento do sinal de TV analógica no país. 

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Cada uma dessas frequências tem características próprias e as operadoras tentam usá-las de uma forma complementar. No entanto, é unânime que a banda 28 é a melhor entre elas, já que sua frequência mais baixa tende a aumentar o alcance da antena, o que ajuda a melhorar o sinal para o usuário. Da mesma forma, a frequência de 700 MHz penetra paredes com maior facilidade, então se você estiver em um local fechado, o seu 4G vai pegar melhor se a banda 28 estiver habilitada na sua região e o seu celular tiver suporte à frequência. 

Reprodução

E é aí que entra um dos principais problemas de usar celulares da Xiaomi no Brasil. Os celulares da empresa, em muitos casos, não foram pensados para serem compatíveis justamente com a melhor banda do nosso 4G. Basta olhar as especificações técnicas dos smartphones da empresa: boa parte dos dispositivos não mencionam em momento algum o suporte à B28. 

Vamos olhar, por exemplo, as especificações do Pocophone F1, um dos celulares da Xiaomi que têm atraído os brasileiros e que, inclusive, recebeu distribuição oficial no Brasil. A página oficial do aparelho menciona suporte às bandas 3 e 7, mas não fala nada da 28. O mesmo pode ser notado com dispositivos como o top de linha Mi Mix 3 e os populares intermediários Mi A2 e Mi A2 Lite

Nem todos os celulares da empresa são incompatíveis com a banda 28, no entanto. O Redmi Note 6 Pro, por exemplo, que também está sendo distribuído no Brasil de forma oficial, tem o suporte à banda 28 mencionado na página oficial. O top de linha Mi 9, igualmente, lista a B28 entre as bandas suportadas. 

O que acontece se o celular não suportar uma banda do 4G?

Como já foi dito, as frequências do 4G são usadas de forma complementar. A maior parte das operadoras tem mais de uma banda funcionando em cada região, mas isso não significa que sempre haverá múltiplas frequências operando em um mesmo local. Se o seu celular não for compatível com o 4G de 700 MHz em uma área onde só há 4G de 700 MHz, ele ficará limitado ao 3G. Tudo depende da cobertura da região onde você estiver. 

Da mesma forma, pelo fato de que o sinal de 700 MHz é o que melhor penetra paredes, você também pode ter mais dificuldade de usar o 4G enquanto estiver dentro de casa, do shopping, ou de um escritório. Não significa, porém, que isso acontecerá sempre que você estiver em um lugar fechado. 

No entanto, há outra situação que pode ser incômoda. Em algumas regiões do país, já está em vigor novos tipos de 4G, chamados de LTE-Advanced (LTE-A) e LTE-Advance Pro (LTE-A Pro), que foram batizados comercialmente de 4G+ e 4,5G. Na prática, essas nomenclaturas significam uma velocidade de conexão consideravelmente maior do que o LTE comum, mas elas só são possíveis para quem tem acesso a múltiplas frequências do 4G simultaneamente. 

Isso porque essas tecnologias dependem de um recurso chamado de carrier aggregation, ou em um bom português, agregação de portadora. O que esse nome difícil significa é que os celulares que estão se conectando ao 4G+ ou 4,5G estão usando múltiplas frequências do 4G ao mesmo tempo. No caso do LTE-A, são necessárias apenas duas frequências, mas no LTE-A Pro são necessárias pelo menos três (entre outros requisitos). 

Os celulares que não estiverem habilitados a suportar todas as redes brasileiras terão mais dificuldades para utilizar essas redes mais avançadas do 4G, justamente por não conseguirem reconhecer todas elas. Ou seja: em uma determinada região que tenha o LTE-A ou o LTE-A Pro ativos, você pode ter uma conexão 4G mais lenta que alguém que tenha um celular nacional capaz de operar com todas as frequências brasileiras.

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