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Executivos do YouTube teriam ignorado os avisos sobre vídeos tóxicos

Maria Dourado, editado por Rui Maciel 02/04/2019 21h00
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Os líderes rejeitaram sugestões para lidar com conteúdo prejudicial, para que o engajamento não fosse comprometido, informou a Bloomberg

Os líderes do YouTube teriam ignorado as propostas para alterar as recomendações para eliminar vídeos tóxicos e que abordam teorias da conspiração, disseram vários funcionários antigos e atuais à Bloomberg . Os executivos estavam mais preocupados em manter os espectadores envolvidos, de acordo com o relatório.


"Dezenas" de funcionários do YouTube e do Google notaram suas preocupações com a "massa de conteúdo falso, incendiário e tóxico" nos últimos anos. Muitas sugeriram mudanças nos executivos do YouTube ou rastrearam a popularidade de vídeos tóxicos afim de mostrar à gerência sênior a gravidade da questão. No entanto, a ordem que supostamente veio de cima era para permanecer no mesmo curso — na tentativa de evitar uma queda nas métricas de engajamento, talvez.

Os funcionários do YouTube lutaram contra o posicionamento dos executivos frente aos problemas da plataforma. Cinco deles, do alto escalão, que deixaram a empresa nos últimos dois anos, alegaram que a "incapacidade de barrar vídeos extremistas e perturbadores" do serviço de vídeo era o motivo pelo qual eles saíram.

Fato é que, por mais errado que um conteúdo seja, ele ainda pode chamar a atenção, potencialmente elevando a receita — significativa — de publicidade. A empresa-mãe do YouTube, a Alphabet, normalmente não divulga números de balanço da plataforma de streaming nos relatórios de receitas. Estima-se que o serviço de compartilhamento de vídeos ganha 16 bilhões de dólares por ano.

Uma porta-voz refutou, em resposta a Bloomberg, algumas das alegações da reportagem, indicando que a CEO do YouTube, Susan Wojcicki, "não está preocupada com essas questões e que a empresa prioriza o engajamento acima de tudo".

Nos últimos dois anos, o serviço tem se concentrado em encontrar soluções para alguns de seus "maiores desafios", disse um porta-voz ao Engadget em comunicado. Essas medidas incluem "atualizar nosso sistema de recomendações para evitar a disseminação de informações errôneas, melhorar a experiência de notícias no YouTube, investir em aprendizado de máquina para encontrar e remover mais rapidamente conteúdo violento, além de revisar e atualizar nossas políticas constantemente".

No entanto, vários anos antes de o YouTube se comprometer a parar de recomendar vídeos de conspiração, um engenheiro de privacidade sugeriu que esse tipo de conteúdo não deveriam ser incluídos nas recomendações. Sua proposta foi rejeitada na época, de acordo com a reportagem, embora a plataforma tenha adotado a ideia em janeiro deste ano. O serviço adicionou outras medidas para combater fake News e conspirações, incluindo painéis de informação em páginas de vídeo e resultados de pesquisa que oferecem dados verdadeiros sobre tópicos delicados ou controversos.

Enquanto isso, a Motherboard relata que vídeos de propaganda nacionalista e neonazista estão disponíveis gratuitamente no YouTube. A reportagem compartilhou alguns exemplos, nos quais a publicidade deles foi removida e foram adicionados alertas de conteúdo duvidoso, além de garantir que não aparecessem nas recomendações. No entanto, os vídeos ainda estão no YouTube e você pode visualizá-los por meio dos resultados de pesquisa.

 

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