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Fábrica dos sonhos da Foxconn prometida por Donald Trump nos EUA ficou...nos sonhos

Henrique Freitas, editado por Rui Maciel 28/06/2019 21h00
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"Este é um dos maiores acordos de todos os tempos", disse Trump na época. Mal sabia ele que a Foxconn transformaria a fábrica em uma verdadeira novela

Há um ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump prometeu uma fábrica enorme da Foxconn nos Estados Unidos. "Este é um dos maiores acordos de todos os tempos", disse ele na cerimônia. A instalação empregaria mais de 13 mil trabalhadores do estado de Wisconsin e fabricaria televisores LCD de alta resolução. A fábrica, segundo Trump, seria uma clara evidência de seus esforços para "restaurar o poder industrial dos Estados Unidos". Mas a promessa não está nem perto de se concretizar.


Nesta sexta-feira (28), o portal The Verge produziu uma reportagem contando o passo a passo dessa iniciativa que flerta com o fracasso. Após o anúncio extravagante, a Foxconn até começou a construir alguns estabelecimentos em Wisconsin, que serviriam como "centros de inovação" e seriam os "pilares do ecossistema de IA 8K+5G que a Foxconn está desenvolvendo". A operação destes centros teria início no final de 2018, porém, até o começo de 2019, muitos deles permaneciam vazios.

A própria fábrica deixou de ser o sonho gigante que era lá atrás. De acordo com Trump, ela teria mais de 6 milhões de m2, mas o otimismo parou nos números. Em agosto de 2018, Louis Woo, executivo da Foxconn, declarou ao The Journal Times que grande parte da produção seria automatizada. "Se você me perguntassse seis meses atrás: qual será a divisão de trabalho? Eu diria '75% de trabalhadores na linha de montagem, 25% de engenheiros e gerentes'", explicou. "Hoje, eu já penso que será 10% de trabalhadores braçais e 90% de trabalhadores das áreas de inteligência".

Dessa declaração em diante, as coisas foram de mal a pior. Woo ainda garantiu que a Foxconn empregaria 2 mil pessoas até o fim de 2019 – e 13 mil até 2023 –, mas a ideia de uma fábrica de televisores continuava desaparecendo. O próprio executivo afirmou que "não estava realmente interessado em (desenvolver) televisões", mas sim "soluções verticais" para quaisquer áreas, de indústria a saúde e educação.

É claro que a situação não agradou os políticos de Wisconsin e, muito menos, o presidente Donald Trump. O estado, que havia oferecido US$ 4,5 bilhões em subsídios, esperava obter algo concreto em troca: uma fábrica que produzisse telas LCD de 75 polegadas. Por isso, a Foxconn voltou atrás e prometeu uma fábrica um pouco mais humilde, que estaria em operação até o final de 2020.

O que se sabe no momento é que a fábrica será bem menor do que o planejado. Em vez dos 6 milhões de m2 exaltados por Trump, especula-se que a nova instalação seja 20 vezes menor. O número de empregos também caiu consideravelmente: a Foxconn fala em pouco mais de 1,5 mil empregos. Resta saber se estes desencontros vão render mais alguns capítulos para esta novela.

Fonte: The Verge

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