Facebook chama polícia contra repórteres que acharam abuso de crianças na rede

Uma equipe de jornalistas da BBC enviou recentemente ao Facebook informações sobre grupos privados da rede social voltados para a troca de conteúdo pornográfico infantil. A resposta da empresa, no entanto, foi encaminhar esse material à polícia e denunciar os jornalistas por distribuir imagens ilegais.

De acordo com o Gizmodo, a BBC já vem investigando esses grupos de pornografia infantil há bastante tempo e lutando em vão para fazer com que o Facebook as remova. Como parte desse processo, a rede britânica de jornalismo marcou uma entrevista com Simon Millner, um representante da rede social.

Millner colocou como condição para a conversa que a BBC lhe enviasse as imagens que encontraram nos grupos privados de pornografia infantil. No entanto, ao receber as imagens, o representante cancelou a entrevista e denunciou os jornalistas à polícia.

"Quando a BBC nos enviou essas imagens, nós seguimos os padrões de nossa indústria e as reportamos para o Ceop [Centro de Proteção Online de Exploração de Crianças]", disse a empresa em uma declaração enviada à BBC. "Também denunciamos as imagens de exploração infantil que haviam sido compartilhadas em nossa plataforma. Essa questão está agora nas mãos das autoridades." Posteriormente, numa declaração ao Gizmodo, o Facebook afirmou: "Removemos todos os itens que eram ilegais ou contrários aos nossos padrões".

Trabalho em vão

Segundo a BBC, seus esforços em investigar grupos de pedófilos nas redes sociais já levaram à prisão de uma pessoa. No entanto, a cooperação com o Facebook para ajudar a "limpar" a rede social é extremamente problemática.

A empresa britânica de jornalismo realizou um teste denunciando 100 imagens ao Facebook usando os métodos tradicionais. As imagens continham, entre outras coisas, menores de idade em poses altamente sexualizadas, páginas explicitamente voltadas para homens buscando pornografia infantil e uma imagem que parecia ser de um vídeo de abuso infantil.

Das 100 imagens, apenas 18 foram removidas. O Facebook alegou que as outras 82 imagens não violavam seus "padrões de comunidade". A imagem do aparente vídeo de abuso infantil estava entre as que não foram deletadas. 

No Reino Unido, a rede social também proíbe que pessoas acusadas de crimes sexuais tenham contas. No entanto, embora a BBC tenha identificado cinco criminosos sexuais na rede e denunciado suas contas à empresa, nenhuma delas foi desativada. 

A BBC também mostrou as imagens que havia encontrado à comissária das Crianças para a Inglaterra, Anne Longfield, que comentou: "Fiquei muito perturbara com que vi (...). A moderação claramente não é eficaz, e eu me pergunto se há de fato humanos moderando isso, olhando para isso, e também acredito que a moderação não leva em conta o contexto das imagens".

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