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Facebook remove publicação de Trump com símbolo usado por nazistas

Renato Mota 18/06/2020 17h06
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A publicação convocava apoiadores a assinar uma petição para designar movimento 'antifa' como terrorista, e associou ao grupo um símbolo usado pelos nazistas para designar opositores políticos

O Facebook desativou da sua plataforma posts patrocinados da página do presidente norte-americano Donald Trump, do vice Mike Pence, e da fanpage "Team Trump" que associavam ao movimento antifascista e à "turba da extrema-esquerda" um símbolo que foi usado pelos nazistas para designar prisioneiros políticos em campos de concentração.


O símbolo, um triângulo vermelho invertido, apareceu em postagens pagas que convocavam usuários a assinar uma petição para designar o grupo como uma organização terrorista. Os antifascistas são um movimento de ativistas que o governo Trump procurou vincular à violência nos recentes protestos do movimento Black Lives Matter - que tomaram conta do país depois do assassinato de George Floyd por um policial em Minneapolis. Registros de prisões, porém, mostram que o envolvimento dos antifa em ações de saques e confronto com a polícia é mínimo. 

Facebook/Reprodução

Facebook/Reprodução

O material foi removido do Facebook sob a justificativa de que os anúncios e publicações orgânicas com o triângulo invertido "violavam sua política contra o ódio organizado". De acordo com a CNN, o porta-voz da rede social, Andy Stone, afirmou que "nossa política proíbe o uso do símbolo de um grupo de ódio proibido para identificar presos políticos sem o contexto que condena ou discute o símbolo".

O triângulo invertido vermelho foi usado pela primeira vez na década de 1930 para identificar comunistas, e foi aplicado também a social-democratas, liberais, maçons e outros membros de partidos da oposição. A insígnia imposta aos presos políticos judeus, por outro lado, apresentava um triângulo amarelo sobreposto por um triângulo vermelho.

Até a manhã da quarta-feira (17), as publicações do presidente já acumulavam 950 mil impressões, enquanto o anúncio idêntico na página de Pence obteve 500 mil impressões. Oitenta e oito anúncios com o triângulo vermelho invertido foram exibidos no total, visando todos os 50 estados do país.

"Obviamente, devemos ter cuidado ao permitir que alguém coloque um símbolo para condená-lo ou discuti-lo", disse o chefe da política de segurança do Facebook, Nathaniel Gleicher, durante uma audiência de quinta-feira diante do Comitê de Inteligência da Câmara de Deputados. "Mas em uma situação em que não vemos nenhum contexto, não o permitiremos na plataforma e vamos removê-lo. Foi o que vimos neste caso com este anúncio e, em qualquer lugar que esse símbolo seja usado, tomaríamos a mesma ação", completou.

Por outro lado, Tim Murtaugh, porta-voz da campanha de Trump, disse que "o triângulo vermelho é um símbolo antifa", apontando seu uso em capas para smartphone e garrafas de água. "Observamos que o Facebook ainda tem um emoji de triângulo vermelho invertido em uso, que parece exatamente o mesmo, por isso é curioso que eles segmentem apenas esse anúncio", acrescentou Murtaugh.

O símbolo mais comum do movimento antifascista inclui duas bandeiras, uma vermelha e uma preta, dentro de um círculo. Embora outros símbolos que os nazistas tenham implantado tenham sido recuperados, incluindo o triângulo rosa usado nos campos de concentração para rotular presos homossexuais, este não foi o caso do triângulo vermelho, de acordo com o historiador Jacob S. Eder, da Barenboim–Said Akademie, de Berlim.

"Eu acho que é altamente problemático o uso de um símbolo que os nazistas usavam para identificar seus inimigos políticos", disse ele. "É difícil imaginar que seja feito de propósito, porque não tenho certeza se a grande maioria dos americanos conhece ou entende o sinal, mas é muito, muito descuidado, para dizer o mínimo", afirmou o historiador ao Washington Post.

Em março, o Facebook removeu outros anúncios da página de Trump que, segundo a rede social, incluíam referências enganosas ao censo dos EUA. Em geral, a empresa tem evitado checar a veracidade de publicações de políticos – uma postura que vem causando debates internamente.

Via: CNN Business/Washington Post

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