Funcionários do Facebook cobram posicionamento em relação às postagens de Trump

Em home office, colaboradores fizeram uma paralisação virtual para pressionar os executivos da empresa a serem mais enérgicos com as postagens dos últimos dias do presidente norte-americano na rede social

Renato Mota 01/06/2020 15h06
Zuckerberg e Trump
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Em mobilização contra uma abordagem adotada pelo Facebook, centenas de funcionários da empresa fizeram um "protesto virtual" nesta segunda-feira (1º). Eles criticam a decisão de não colocar nenhum alerta nas mensagens postadas pelo presidente norte-americano Donald Trump relacionadas aos os protestos que se seguem nos Estados Unidos após o assassinato de George Floyd.


Como a maior parte dos empregados do Facebook está trabalhando de casa, o movimento ocorre de uma forma diferente. Os funcionários tiraram o dia de folga e adicionaram uma mensagem automática aos seus e-mails dizendo que estavam fora do escritório em uma demonstração de protesto.

A ação visa pressionar os executivos da rede social a tomarem medidas como as do Twitter, que colocou um alerta em uma postagem de Trump justificando que a mensagem viola suas regras, pois "incita a violência". O CEO e fundador da empresa, Mark Zuckerberg, argumentou que as declarações de Trump na plataforma não violam as regras da rede social, apesar de dizer que, pessoalmente, tem "uma reação visceral negativa a esse tipo de retórica divisória e inflamatória".

No domingo, Zuckerberg postou uma mensagem afirmando que doaria US $ 10 milhões para grupos que trabalham com justiça racial nos EUA. Em resposta à paralisação, o CEO ainda mudou sua reunião semanal com os funcionários da terça-feira (2) para a quinta-feira (4) – é uma chance para eles questionarem o chefe diretamente sobre sua decisão.

Uma porta-voz do Facebook disse ao New York Times os executivos receberam bem o feedback dos funcionários. "Reconhecemos a dor que muitos de nossos funcionários estão sentindo no momento, especialmente nossa comunidade negra", disse a diretora de comunicação da empesa, Liz Bourgeois. "Incentivamos os funcionários a falar abertamente quando discordam da liderança."

"A inação do Facebook em derrubar a publicação de Trump incitando a violência me deixa com vergonha de trabalhar aqui", postou no Twitter a engenheira do Facebook, Lauren Tan. "Silêncio é cumplicidade", completou. Alguns funcionários também pediram a demissão de Joel Kaplan, vice-presidente de política global do Facebook, visto como uma forte influência conservadora dentro da empresa.

Vista grossa

Após adicionar o alerta ao polêmico tuíte do presidente, Jack Dorsey, executivo-chefe do Twitter, afirmou que a empresa não iria recuar em sua posição. Por outro lado, na véspera, em uma entrevista na Fox News, Zuckerberg disse que o Facebook não iria julgar as postagens de Trump.

"Temos sido bastante claros em nossa política de que achamos que não seria correto fazer verificações em postagens de políticos", disse Zuckerberg. "Acho que, em geral, as empresas privadas - especialmente empresas de redes sociais - não deveriam estar em posição de fazer isso", afirmou o executivo

A garantia de Zuckerberg de que sua empresa não seria um "juiz da verdade" nas discussões políticas também indica um esforço para agradar republicanos em Washington e vozes conservadoras na mídia, com o objetivo de evitar uma regulamentação forçada na sua plataforma.

"Os instintos de Zuckerberg estão certos", acredita o comissário republicano da Comissão Federal de Comunicações, Brendan Carr. "Ele confia nas pessoas para decidirem", completa. Mas a abordagem pode acabar alienando alguns usuários (e funcionários) que acreditam que as regras sobre o que pode ser postado no Facebook devem ser aplicadas igualmente a todos, incluindo líderes mundiais.

"O Twitter e o Facebook têm padrões e políticas da comunidade para combater o discurso de ódio e o incitamento à violência. No entanto, o Twitter está realmente impondo esses padrões contra o presidente dos Estados Unidos e o Facebook não está fazendo nada", afirma Vanita Gupta, presidente da Conferência de Liderança de Direitos Civis. "O dano dessa abordagem do Facebook é confusão em massa, supressão de eleitores e possível incitação à violência".

Via: The New York Times (2)

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