Gados transgênicos

Gados com gene editado têm 'contaminação' no DNA

Clara Guimarães, editado por Rafael Rigues 17/09/2019 14h28
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Cientistas da FDA, órgão regulador do governo dos EUA, encontraram DNA bacteriano em vacas modificadas para que não tenham chifres

Ao adicionar apenas alguns pares de DNA ao genoma de bovinos leiteiros, uma startup norteamericana criou uma maneira de garantir que os animais nunca desenvolvessem chifres. Se bem sucedida, a modificação eliminaria a necessidade, hoje aplicada por muitos fazendeiros, de queimar os chifres das vacas, um procedimento difícil e doloroso para os animais. Porém, a técnica teve alguns efeitos colaterais inesperados.


Cientistas da Food and Drug Administration (FDA), que analisaram mais de perto a sequência do genoma de um dos animais editados, descobriram que ele contém um trecho de DNA bacteriano, incluindo um gene que confere resistência a antibióticos.

A empresa utilizou plasmídeos - um tipo de mini-cromossomo circular presente nas bactérias - para transmitir instruções de DNA para a celúla. Porém, eles deveriam permanecer lá apenas temporariamente.

Não está claro se o DNA bacteriano representa um risco maior. É improvável que afete a vaca ou a pessoa que consuma sua carne. Em vez disso, a preocupação é que o gene de resistência a antibióticos possa ser absorvido por qualquer um dos bilhões de bactérias presentes no intestino ou no corpo de uma vaca.

A adição do trecho de DNA passou desapercebida pela empresa, que garantia que eram 100% bovinos e criticou a FDA (Food and Drug Administration, equivalente á nossa Anvisa) quando a organização sugeriu que os animais deveriam ser regulamentados. "Não era algo esperado, portanto procuramos por isso", diz Tad Sontesgard, CEO da Acceligen, uma subsidiária da Recombinetics, empresa que é dona dos animais. Ele diz que uma verificação mais completa "deveria ter sido feita".

Regulamentação de animais transgênicos

A Recombinetics tem lutado fortemente para retirar toda a pesada regulamentação do governo dos EUA sobre a modificação de genes de animais. Desde o início ela se opõe à atuação da FDA, que categoriza animais editados por genes como novos medicamentos que precisam de extensos testes e aprovação.

Contudo, a descoberta de genes bacterianos no DNA dos animais da Recombinetics tira a confiança da startup. Isso prova que o procedimento, destinado a fazer alterações pontuais no DNA, pode introduzir mudanças inesperadas significativas sem que ninguém perceba. "À medida que a tecnologia de edição do genoma evolui, o mesmo ocorre com o entendimento das alterações não intencionais que produz", escreveram os cientistas da FDA.

O risco da engenharia aleatória não é apenas para animais de curral. Tratamentos de edição de genoma para curar doenças raras estão sendo testados em pessoas e é possível que os pacientes acabem com mutações genéticas não planejadas

Este ano, a Organização Mundial da Saúde disse que quaisquer outras tentativas de editar genes humanos seriam "irresponsáveis", em parte por causa da incerteza técnica.

Via: Technology Review

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