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Google é acusado de fornecer dados pessoais de usuários a anunciantes

Bruna Lima, editado por Rafael Rigues 06/09/2019 09h56
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A empresa teria violado normas da União Européia de transparência e consentimento ao fornecer dados sensíveis ao mercado publicitário

Evidências analisadas pela agência irlandesa de proteção de dados - que fiscaliza os negócios europeus do Google – indicam que o gigante de buscas está usando secretamente páginas web ocultas que fornecem a anunciantes dados pessoais sobre seus usuários. A prática vai contra o que está previsto nas normas da União Europeia, que exigem o consentimento e transparência.


As acusações afirmam que a companhia americana "explorou dados pessoais sem controle suficiente e sem preocupação com a proteção de dados". A agência segue pesquisando se há um uso de dados sensíveis - como raça, situação de saúde e inclinações políticas de seus usuários – para o direcionamento de publicidade. John Ryan,  vice-presidente da Brave, que produz um navegador web alternativo, afirmou ter descoberto páginas secretas ao monitorar como seus dados eram negociados no mercado publicitário do Google, anteriormente conhecido como DoubleClick e que agora tem o nome de Authorized Buyers.

Ryan descobriu que havia sido marcado com um rastreador (tracker) do Google, que era fornecido a outras empresas que se conectassem a uma página oculta. Usando os dados do rastreador, que incluem local e hora de navegação dos usuários, as empresas podiam comparar seus perfis e seus hábitos de navegação e lhes direcionar anúncios. No total, foram descobertas seis páginas diferentes que forneciam seu identificador dentro de uma hora da visitas a sites usando o navegador Chrome. O identificador contém a frase "google_push" e foi enviado a pelo menos oito empresas de publicidade online.

"A prática é ocultada de duas maneiras: a mais básica delas é que o Google cria uma página que o usuário jamais vê; é uma página em branco, sem conteúdo, mas permite que terceiros bisbilhotem o usuário sem que este esteja informado", disse Ryan. "Eu não fazia ideia de que isso estava acontecendo. Se consultasse os registros de navegação do meu 'browser', tampouco ficaria sabendo".

Um porta-voz do Google afirmou que a empresa não sabia de alguns detalhes descobertos pelo vice-presidente da Brave, mas afirmou que vão cooperar com as investigações. “Não distribuímos anúncios personalizados ou enviamos pedidos de lances a compradores de publicidade sem consentimento do usuário", afirmou o porta-voz.

Via: Folha de S. Paulo

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