Hormônio injetado no cérebro de ratos promove remissão do diabetes tipo 2

Pesquisa revela novas perspectivas para o tratamento da doença em humanos; entretanto, efeito foi observado apenas em casos moderados do diabetes

Da Redação, editado por Fabiana Rolfini 10/09/2020 08h51
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Os resultados de uma pesquisa norte-americana abrem novas perspectivas para o tratamento do diabetes tipo 2. Cientistas da Universidade de Washington conseguiram não só normalizar o nível de glicose no sangue, como promover a remissão temporária da doença, em um experimento feito em ratos.


Para tal, foi injetada no cérebro dos animais uma dose da FGF1, proteína relacionada ao fator de crescimento de fibroblastos - células presentes nos tecidos conjuntivos. Segundo os pesquisadores, o tratamento pode se tornar viável para humanos com a administração da dosagem correta da substância pelas vias nasais. O estudo foi publicado em artigo na revista Nature Medicine.

Os pesquisadores observaram que a doença torna-se indetectável quando o hormônio injetado se junta aos receptores cerebrais relacionados ao crescimento de fibroblastos. Entretanto, apesar de promissor, o tratamento de dose única só conseguiu surtir efeito nos roedores com casos moderados da doença. Além disso, ainda não ficou claro como exatamente o hormônio funciona contra a doença.

Reprodução

Cientistas conseguiram regredir diabetes tipo 2 em ratos a partir de injeção hormonal no cérebro. Imagem: Shutterstock 

 

Como funciona?

De acordo com a publicação, alguns estudos já haviam demonstrado resultados semelhantes, mas as injeções foram administradas por via intravenosa e o resultado só era alcançado com muitas repetições. Além disso, o tempo de remissão da doença era curto.
 
O tratamento de dose única teve sucesso apenas em roedores com casos moderados de diabetes e o mecanismo de atuação deste hormônio, que existe no cérebro humano, ainda não ficou totalmente esclarecido. O FGF1 é sintetizado pelos neurônios e por outras células cerebrais e a administração do hormônio diretamente no cérebro seria capaz de aumentar as capacidades de memória e aprendizagem, bem como reduzir o apetite e diminuir o risco de enfarte e de doenças degenerativas.
 
No estudo atual, os ratos que receberam uma injeção de FGF1 no cérebro registaram no hipotálamo um aumento dos níveis de uma proteína envolvida nas sinapses. Agora, é necessário compreender quais são os efeitos dessa reação.
 
Entretanto, com uma capacidade de remissão duradoura, o foco dos cientistas será compreender os mecanismos que respondem ao estímulo hormonal, identificar e caracterizar os circuitos cerebrais relevantes para, então, conseguir desenvolver uma terapia promissora para o tratamento em humanos.

 

Fonte: Eurekalert



Em artigo publicado na revista Nature Medicine, os pesquisadores observaram que a doença torna-se indetectável quando o hormônio injetado se junta aos receptores cerebrais relacionados com o crescimento de fibroblastos.

Ao contrário do que ocorre na diabetes do tipo 1, quando o pâncreas deixa de produzir a insulina, doença do tipo 2 a produção insulínica ocorre, mas não é suficiente e normalmente é associada a maus hábitos alimentares e excesso de peso.
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