Influenciadoras do TikTok são presas por 'indecência' no Egito

Entidades de direitos humanos dizem que condenações ferem a liberdade de expressão e reforçam a discriminação de gênero no país

Victor Pinheiro 17/08/2020 20h08
Influenciadoras são presas no Egito
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Cinco jovens foram sentenciadas a dois anos de prisão no Egito sob acusações de divulgar em redes sociais conteúdos que violam os valores familiares do país. Elas ainda foram condenadas a pagar uma multa equivalente a R$ 110 mil, informa a BBC News.


Entre as jovens está Mawada, uma influenciadora com mais de 3 milhões de seguidores no TikTok e 1,6 milhão no Instagram. A universitária de 22 anos foi presa em maio após publicar nessas plataformas clipes em que faz playbacks de músicas vestindo roupas estilosas.

De acordo com a entidade de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, investigadores apresentaram 17 fotos de Mawada para sustentar provas de indecência da jovem. A defesa da influenciadora diz que as imagens foram vazadas de um telefone celular roubado no ano passado.

A Anistia Internacional argumenta que a prisão das cinco mulheres representa uma tentativa de autoridades egípcias controlarem o ciberespaço e restringir a liberdade de expressão. Já a organização não governamental egípcia Egyptian Commission for Rights and Freedoms, destaca que o episódio reforça a discriminação de gênero no país.

"Mulheres só são autorizadas a se expressar em redes sociais de acordo com o que o Estado dita. Essas garotas são acusadas de quebrar valores familiares egípcios, mas ninguém jamais definiu que valores são esses.", afirmou Mohamed Lotfy, diretor-executivo da ONG, em entrevista à BBC News.

O advogado de Mawada, Ahmed Bahkiry, afirmou ao jornal britânico que as acusações são vagas e que a prisão não é a solução adequada "mesmo que alguns vídeos confrontem normas sociais e tradições" egípcias.

As condenações das jovens, no entanto, provocaram diferentes reações no Egito, relata a BBC. Uma parcela da população aponta que os vídeos de Mawada são indecentes, enquanto outra parte acredita que os vídeos não justificam as punições.

Nos últimos meses, a Promotoria do país reforça que as plataformas digitais ameaçam os jovens egípcios e estão fora do escopo da supervisão do estado. O órgão diz que pais devem agir para evitar que jovens sejam levados a "adotarem um estilo de vida imprudente e desregrado em busca de fama e sucesso".

Fonte: BBC News

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