Campo magnético da Terra

Inversão de polos magnéticos da Terra pode demorar mais que previsto

Beatriz Trevisan, editado por Liliane Nakagawa 12/08/2019 09h20
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Pesquisa recente, que estudou registros vulcânicos, revelou que última ocorrência do fenômeno demorou dez vezes mais do que se pensava

Nos últimos 2,5 milhões de anos, as polaridades dos campos magnéticos da Terra se inverteram dezenas de vezes, fazendo o norte se tornar o sul e vice-versa. Teoricamente, o planeta teria que mudar o sentido de sua rotação para inverter a orientação do campo, como isso nunca aconteceu, cientistas nunca encontraram uma explicação completa para o fenômeno. Para entender essa inversão, cientistas contaram com a sequência de fluxo detectável de lava vulcânica que surgiram perto ou durante a última reversão, e descobriram que ela já ocorreu ao menos 170 vezes em 100 milhões de anos.


Um estudo recente publicado no dia 7 de agosto na revista científica Science Advances, descreveu novas descobertas do giro magnético da Terra, mostrando que a duração da última ocorrência do fenômeno demorou muito mais do que o calculado anteriormente.

A última inversão de polos magnéticos da Terra, segundo cientistas, aconteceu muito antes de os humanos poderem registrá-la, durante a Idade da Pedra, há cerca de 780 mil anos. Até então, sabia-se pouco sobre a duração do evento, bem como quando ele poderia acontecer de novo, já que o fenômeno é imprevisível.

Mas, graças a análises sobre o registro de fluxo de lava vulcânica antiga, os pesquisadores do novo estudo estimaram que o giro magnético durou longos 22 mil anos, muito mais do que o tempo entendido como consenso até então, de mil a 10 mil anos. Para chegar nesse número, os autores do estudo usaram dados sobre sequências de fluxo de lava que surgiram perto ou durante a ocorrência do fenômeno.

"Descobrimos que a última inversão foi mais complexa e iniciada dentro do núcleo externo da Terra antes do que se pensava anteriormente", disse o autor do estudo e professor de geociências da Universidade de Wisconsin-Madison (Estados Unidos), Bradley Singer, ao portal Space.com.

A inversão dos polos magnéticos ocorre quando as moléculas de ferro no núcleo externo da Terra se dirigem em lado oposto à de outras moléculas de ferro ao redor delas. Conforme a quantidade de moléculas que se movimenta ao contrário aumenta, o campo magnético no núcleo do planeta é deslocado. Se isso acontecesse hoje, por exemplo, as bússolas apontariam para o sul geográfico em vez do norte.

Artigos recentes que mostram que o polo magnético norte do Ártico canadense está se movendo mais rápido em direção à Sibéria geraram discussões sobre uma possível iminência da próxima vez que o fenômeno vai acontecer e quais impacto isso teria sobre a vida na Terra.

Singer, no entanto, discorda dessas alegações. "Há pouca evidência de que esta diminuição atual na força de campo, ou a rápida mudança na posição do polo norte, reflita o comportamento que anuncia que uma inversão de polaridade é iminente durante os próximos 2 mil anos", explicou o professor.

Via: Space.com

Pesquisa Ciência Terra
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