Ministério da Economia apoia a extinção da meia-entrada no Brasil

Posicionamento foi tomado a partir da análise de números de mais de três mil salas de cinema; assunto é tema de uma consulta pública no site da Ancine

Davi Medeiros, editado por Fabiana Rolfini 03/08/2020 15h26
Cinema
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O Ministério da Economia se manifestou a favor do fim do benefício de meia-entrada no Brasil, de acordo com informações da Agência Estado


O debate acerca da extinção do benefício foi motivado por números do Sistema de Controle de Bilheteria (SCB), que reúne informações de mais de três mil salas de cinema no Brasil.

Em 2019, os ingressos vendidos a preço de meia-entrada representaram quase 80% do total. Já a parcela de "inteiras" verificou queda acentuada nos últimos anos: era de 30% em 2017, e chegou a 21,6% no ano passado. Isso fez com que a Ancine disponibilizasse em seu site uma consulta pública sobre o tema. O prazo para participar vai até 13 de agosto.  

Pela legislação atual, estabelecimentos culturais são obrigados a oferecer ingressos pela metade do preço a estudantes, jovens de baixa renda, pessoas com deficiência e idosos. Outra categoria existente é a meia-entrada promocional, concedida a clientes de bancos ou cartões de crédito específicos, por exemplo. De acordo com a Ancine, ao todo 96,6 milhões de brasileiros têm direito ao benefício de alguma forma, o que representa quase metade da população. 

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Ministério da Economia é contra o benefício de meia-entrada no Brasil. Imagem: Pixabay

Ao Estado, o ex-secretário de Política Econômica e presidente do Insper, Marcos Lisboa, afirmou que a obrigatoriedade da meia-entrada cria um "ciclo vicioso" no preço dos ingressos. Segundo ele, o grande número de beneficiários faz com que as empresas do setor aumentem o valor do ingresso inteiro para, assim, lucrar mais com a "meia". Isso afasta aqueles que não se enquadram no benefício, uma vez que o preço integral fica mais alto. 

“O Brasil tem há muitos anos essa prática de criar distorções, em que se oferece um preço diferente para um certo grupo, e o que acontece é que o custo tem que ser coberto, e o preço cheio acaba ficando muito maior", disse Lisboa. 

Pelo Twitter, a União Nacional Estudantes (UNE) classificou o posicionamento da pasta de Paulo Guedes como um "retrocesso total". A entidade pediu que o governo crie mecanismos para verificar a validade das carteirinhas a fim de evitar fraudes, e afirmou que o assunto exige cautela e diálogo. 

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