Não eram loiros? Análise de DNA derruba mitos sobre os vikings

Maior estudo genético já feito sobre os vikings fez algumas descobertas surpreendentes - entre elas, que os guerreiros históricos podem não ser tão nórdicos quanto se acredita

Renato Mota 17/09/2020 16h09
Ein Wikingerüberfall
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Esqueça os guerreiros loiros ou ruivos que vemos nos filmes e séries: a maior parte dos vikings não tinha uma aparência nórdica, mas cabelos escuros e muito mais diversidade genética do que os camponeses do interior da Escandinávia. Essas são algumas das descobertas feitas por uma nova pesquisa da Universidade de Copenhagen, publicada na revista Nature.


O estudo é o maior sequenciamento genético de vikings de todos os tempos. Os pesquisadores analisaram o genoma de 442 fragmentos ósseos da Era Viking (entre 750 e 1050 d.C.), de toda a Europa. Entre as descobertas está um novo olhar sobre a aparência desses guerreiros nórdicos.

"Os vikings tinham muito mais genes do sul e do leste da Europa do que prevíamos. Eles frequentemente tinham filhos com pessoas de outras partes do mundo. Na verdade, eles também tendem a ter cabelos escuros em vez de louros, o que é considerado um traço Viking estabelecido", explica Eske Willerslev, professor do Centro de Geogenética da Fundação Lundbeck da Universidade de Copenhague.

Västergötlands museum/Divulgação

O DNA de um esqueleto feminino chamado Kata encontrado em um cemitério Viking em Varnhem, Suécia, foi sequenciado como parte do estudo. Imagem: Museu Västergötlands/Divulgação

A expansão marítima das populações escandinavas durante a Era Viking fez com que a cultura (e a genética) nórdica se espalhasse para a Inglaterra, Irlanda, Islândia, Groenlândia e outras partes da Europa. Mas o novo estudo encontrou muitas evidências de uma influência na direção contrária – de ancestrais de outras partes do continente entrando na Escandinávia.

"Os vikings viviam em áreas costeiras e, geneticamente, eram um povo totalmente diferente das sociedades camponesas que viviam no interior. Os habitantes do continente tinham muito menos em comum com os vikings do que os camponeses que viveram na Europa há milhares de anos. Quase se poderia dizer que geneticamente falando, os camponeses perderam toda a Idade do Ferro e do Bronze", explica Ashot Margaryan, coautor do estudo e professor assistente do Centro de Geogenética do Instituto Globe.

O genoma dos vikings também traça melhor um mapa dos lugares para onde eles viajaram e construíram seus assentamentos. "Os vikings dinamarqueses foram para a Inglaterra, enquanto os vikings suecos foram para o Báltico e os vikings noruegueses foram para a Irlanda, Islândia e Groenlândia. No entanto, os vikings dessas três 'nações' raramente se misturavam geneticamente. Talvez eles fossem inimigos ou talvez haja alguma outra explicação válida, não sabemos", completa Margaryan.

University of Copenhagen/Divulgação

Distribuição dos povos vikings a partir de suas expedições. Imagem: University of Copenhagen/Divulgação

Alguns dos costumes desses povos também estão impressos em seu DNA. A pesquisa descobriu, por exemplo, que era muito comum que um líder viking recrutasse guerreiros entre seus próprios parentes, como revelou um túmulo na Estônia, onde os invasores foram brutalmente assassinados.

"A cultura popular sugere que o chefe viking recrutaria os guerreiros mais fortes das tribos ou comunidades vizinhas para se juntar a ele em um ataque em algum lugar. Mas pelo menos cinco dos vikings nesta sepultura são intimamente relacionados. Então, talvez ele apenas tenha trazido sua família quando partiu para uma invasão", explica Willerslev.

Para além de matar, pilhar, estuprar e destruir, os vikings também tiveram sucesso em espalhar sua cultura por onde passaram. "Na Escócia há uma sepultura, que em termos arqueológicos seria classificada como uma sepultura viking. Suas espadas e símbolos refletem essa cultura. No entanto, geneticamente falando, o homem no túmulo não tem nada em comum com os vikings. Ele é um exemplo de como a cultura viking foi adotada em certos lugares", conta o pesquisador.

Via: University of Copenhagen

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