Novo tecido imprimível em 3D promete revolucionar a indústria têxtil

Desenvolvido por pesquisadores de Harvard, o material tem 'memória' que o permite mudar de forma; fabricado com lã reciclada, evita o desperdício na produção industrial

Da Redação, editado por Fabiana Rolfini 07/09/2020 13h44
Tecido de Harvard
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Pesquisadores da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas (SEAS) de Harvard, nos EUA, desenvolveram um material capaz de revolucionar a indústria têxtil, tornando-a não só mais tecnológica, mas também sustentável. Trata-se de um tecido imprimível em 3D e com memória que permite reverter sua forma.


A inveção é feita de queratina, extraída de lã reciclada. A substância é uma proteína fibrosa também encontrada no cabelo humano e nas unhas. Ela contém propriedades reversivas que permitem o material maleável voltar ao seu padrão original. 

Explorando essa vantagem, os especialistas imprimiram folhas de queratina em 3D com vários formatos. Elas foram montadas a partir de cadeias de queratina, organizadas em uma estrutura como uma mola, chamada de alfa-hélice. Em seguida, os pesquisadores pegaram duplas dessas molas para criar protofilamentos.

Eventualmente, fabricaram com isso fibras maiores, originando as folhas. Depois, ao utilizarem peróxido de hidrogênio e fosfato monossódico, eles programaram formas, originando uma "memória" que permite o tecido voltar ao seu formato original. Os resultados foram publicados no jornal científico Nature Materials.

 

Utilidades do material

De acordo com comunicado da Universidade de Harvard, o material fabricado possui tecnologia diferenciada, permitindo a ele se moldar em formas complexas, até no nível da milésima parte do milímetro (mícron). “Isso torna o material adequado para uma vasta gama de aplicações, desde têxteis até engenharia de tecidos", comentou o líder do estudo, Luca Cera, da SEAS. 

O pesquisador Kit Parker, co-autor da descoberta, por sua vez, exemplificou o uso da novidade em peças de roupa como sutiãs. Segundo ele, o formato e o tamanho das roupas íntimas podem ser personalizados. E algumas peças de roupas podem atender até às exigências da terapêutica médica — ramo que interfere, por exemplo, na fabricação de cintas cirúrgicas. 

Outro ponto ressaltado foi a sustentabilidade, uma vez que a indústria da moda é uma das mais poluidoras do mundo. "As implicações para a sustentabilidade dos recursos naturais são claras. Com a proteína de queratina reciclada, podemos fazer tanto, ou mais, do que a tosquia de animais até agora e, com isso, reduzir a impacto ambiental da indústria têxtil e da moda", finalizou Parker. 

Fonte: Harvard

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