Marielle Franco

PM acusado de matar Marielle deixou rastros no histórico de buscas na internet

Lucas Carvalho 12/03/2019 11h10
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Polícia encontrou dados de suspeitos armazenados na nuvem

A Divisão de Homicídios da Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro prenderam, na madrugada desta terça-feira, 12, um policial militar reformado e um ex-PM, ambos acusados de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, cerca de um ano atrás. Um deles chegou a deixar rastros na internet.


Segundo as autoridades, o PM reformado Ronnie Lessa seria o autor dos 13 tiros que mataram Marielle e Anderson. De acordo com informações do Ministério Público divulgadas pelo G1, o crime foi planejado durante três meses, incluindo pesquisas salvas no seu histórico de buscas na web.

Lessa fez pesquisas na internet sobre os locais que Marielle frequentava e também sobre a submetralhadora MP5, que, segundo a investigação, pode ter sido usada no crime. Além disso, o PM reformado pesquisou informações sobre o então interventor na segurança pública do Rio, o general Braga Netto.

O suspeito também vinha fazendo buscas na internet pelo então deputado estadual e hoje deputado federal Marcelo Freixo, do mesmo partido de Marielle, o Psol. Em dezembro, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um plano para matar o deputado.

Outras provas do envolvimento de Lessa no crime foram encontradas em arquivos que ele armazenava na nuvem. Ele utilizava um celular comprado com o CPF de outra pessoa, segundo as investigações. O suspeito trocava de celulares para despistar os registros de geolocalização armazenados por antenas de telefonia do Rio.

Na nuvem

Com falta de outras provas materiais, a Divisão de Homicídios rastreou todos os números de telefone que se conectaram a antenas de telefonia que ficavam nas áreas por onde o carro de Marielle passou na noite de 14 de março de 2018, desde a saída da Câmara Municipal até o local onde ela foi assassinada.

No meio desse caminho, uma câmera de segurança flagrou o momento exato em que uma tela de celular se acendeu dentro do carro que seguia Marielle desde a Rua dos Inválidos, no centro do Rio, e de onde, minutos depois, o assassino atiraria contra a vereadora. A partir daí, a polícia tinha o exato local e horário em que o telefone usado pelos assassinos se conectou a uma antena da região.

Com essa informação, os policiais fizeram uma triagem dos números de telefone obtidos pelas operadoras e chegaram ao telefone suspeito de ter sido usado pelos assassinos dentro do carro. Com uma ordem judicial, a polícia teve acesso aos dados de Lessa armazenados na nuvem pelos aplicativos que o PM usava no aparelho.

As autoridades não confirmaram, mas é possível que os dados foram obtidos juntamente ao próprio Google, que armazena dados de buscas e histórico de atividades em dispositivos que usam o sistema operacional Android. Procurado pelo Olhar Digital, o Google declarou por meio de sua assessoria de imprensa que "não comenta casos específicos".

Operação Lume

O outro preso na madrugada desta terça é Élcio Vieira de Queiroz, ex-policial militar acusado de dirigir o carro de onde Lessa atiraria contra o carro de Marielle, matando a parlamentar e seu motorista. Cada um foi preso na respectiva casa, na capital fluminense.

Além dos dados digitais, a polícia se baseou também em depoimentos de suspeitos de envolvimento para efetuar as prisões. A ação da polícia foi batizada de Operação Lume, em referência a uma praça no Centro do Rio, conhecida como Buraco do Lume, onde Marielle desenvolvia um projeto chamado Lume Feminista.

Google polícia
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