Óculos de realidade virtual HMD Odyssey

Review: Óculos de realidade virtual Samsung HMD Odyssey+: a segunda versão ganha melhorias

Rene Ribeiro, editado por Valdir Ribeiro Jr. 26/04/2019 22h00
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O dispositivo tem bom desempenho e é confortável. Mas o alto preço e a pouca oferta de programas e jogos que exploram a realidade virtual ainda são entraves

A Samsung trouxe a segunda versão dos seus óculos de realidade virtual, o HMD Odyssey+ (plus). Mas antes de falar dele, preciso explicar alguns termos para os iniciantes. Se você já entende sobre realidade virtual, pode pular essa parte e ir direto para o review do produto. Mas uma das minhas missões no Olhar Digital é esclarecer a tecnologia para iniciantes e leigos. Então vamos a ela.


O que é realidade mista?

Acostume-se com esse termo. Vamos ouvir falar muito dele ainda. E nada mais é do que combinação de cenas do mundo real com o virtual, oferecendo ao usuário uma maneira intuitiva e natural, inclusive com gestos, de interagir com determinada aplicação.

Esse termo foi criado pela Microsoft, logo que criou o seu óculos de realidade virtual, chamado de Hololens. Esse óculos permite entrar em um mundo virtual, sem a presença de um monitor de vídeo, onde é possível manipular objetos holográficos com as próprias mãos.

Por sua vez, a holografia ganhou outro nome, chamada de realidade aumentada. E, como o óculos Hololens, da Microsoft, usa as duas tecnologias, a empresa resolveu dar mais um nome (realidade mista) para complicar deixar mais claro o mundo da realidade virtual.

E para quem é leigo total nessa área, a explicação mais simples que encontrei para definir o que é realidade virtual - ou mista - é: você entra no jogo ou na aplicação, e interage com objetos, personagens, paisagens, pessoas, com suas próprias mãos, tocando no que quer usar e se movimentando pelo ambiente, inclusive. Mentalmente falando, você “entra” em um mundo novo.

Por exemplo, em um jogo em que você é um arqueiro medieval, suas mãos vão segurar os controles (que acompanham os óculos virtuais) exatamente da mesma forma como seguraria o arco e a flecha na vida real. Inclusive a tensão feita na corda também é inteiramente controlada por você, fazendo o movimento de puxar a flecha. E quem vê de fora, pensa que você é louco, ou que está fazendo uma espécie de taichi, já que o arco e a flecha são virtuais.

Realidade misturada: muito mais do que apenas diversão

A realidade misturada não serve apenas para diversão. Ela pode simular qualquer muito mais do que personagens, ambientes e objetos. A imaginação é o limite. Ela também serve como aprendizado, treinamento e realização de negócios. Exemplos: uma concessionária pode usar essa tecnologia para mostrar os carros que ainda não chegaram na loja. O usuário pode entrar no carro, ver todas os opcionais, trocar a cor dos bancos, incluir acessórios, mudar pneus, partes externas, estando “dentro” de um ambiente totalmente controlável por ele.

Outro exemplo: uma escola pode ter um laboratório virtual de química, sem gastar em salas, em equipamentos e em manutenção. Qualquer experiência pode ser feita pelos alunos virtualmente e, sem o risco real de explodir a escola. :))

Isso são apenas exemplos básicos, mas que nos leva a concluir que a realidade que queremos e imaginamos, pode ser reproduzida ou simulada com perfeição de sensações com a tecnologia da realidade misturada ou virtual.

Óculos Samsung HMD Odyssey+ : o que mudou em relação a primeira versão

Já fizemos o review do HMD Odyssey, que é o nome da primeira versão desse óculos de realidade virtual da samsung. HMD é uma sigla em inglês (Helmet Mounted in display) que pode ser traduzida para algo como capacete-monitor. Faz sentido, já que vestimos esse dispositivo na cabeça.

Foram feitas poucas mudanças para o HMD Odyssey+, porém, boas. Em relação ao conforto, a espuma em volta dos óculos está mais confortável, assim como o silicone que serve para apoiar no nariz. Os fones de ouvido continuam os mesmos, da marca AKG, e já estão acoplados ao óculos e não são removíveis.

Reprodução

HMD Odyssey+: as diferenças em relação a primeira versão estão no conforto e uma densidade de pixels maior, o que ajuda na definição das imagens

A conexão continua a mesma: um cabo duplo sai da parte de trás do óculos e, na ponta, temos dois conectores: o USB e o HDMI. O primeiro tem as funções de fornecer energia para o equipamento e transportar o áudio para o fone de ouvido e também transportar o áudio do microfone embutido para o computador.

Reprodução

O cabo tem 4 metros de comprimento, o que é suficiente caso o usuário escolha se movimentar pela sala (a experiência vale a pena). Existe a opção de ficar sentado e se movimentar pelos joysticks

A principal mudança técnica está na densidade de pixels que podemos ver nas lentes do óculos. As lentes (ou telas, já que entramos na realidade misturada por elas), usam tecnologia AMOLED, que é a mesma de celulares topo-de-linha e de algumas TVs. A resolução é a mesma da versão anterior (1440 x 1600 pixels em cada lente), mas a densidade de pixels aumentou de 616 pixels por polegada (ppp) para 1233 ppp.

Reprodução

Os controladores de movimento do HMD Odyssey+

O dobro, certo? Calma lá. A resolução continua a mesma, lembra? Portanto, esse número da densidade é apenas uma forma rápida de marketing para simplificar a explicação da melhoria. O que acontece é que a Samsung usou uma técnica que ela chamou de anti-SDE. SDE, em realidade virtual, significa Screen Door Effect (efeito de porta de tela).

Esse indesejado efeito é causado porque temos as lentes (que são nossas telas para a realidade virtual) muito próximas dos olhos. E por isso percebemos linhas pretas muito finas através das imagens. Estas são, na verdade, os espaços entre os pixels individuais, o que dá o efeito de olhar a imagem através de uma porta de tela de malha, daí o nome.

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A primeira metade da imagem mostra o exemplo do efeito indesejado chamado SDE, onde vemos linhas finas cruzando a imagem. Na direita, a Samsung usou uma técnica para diminuir as finas linhas pretas que apareciam na versão anterior do óculos

Para diminuir o tal efeito, a Samsung incorporou às telas do HMD Odyssey+ alguns difusores projetados para deixar a luz entrar nos espaços vazios entre os pixels, ocultando o efeito de porta de tela. Pelo que vi nos testes, essa técnica realmente melhorou a qualidade das imagens, porém, ainda seria melhor aumentar a resolução, já que nossos olhos ficam muito próximos da tela e, somente assim, teríamos imagens realmente muito mais nítidas. Resumindo: a qualidade das imagens melhorou sim, mas ainda pode ficar melhor.

Óculos Samsung HMD Odyssey+ : instalação

Aqui está um item muito positivo nesse produto. Como ele é compatível com o Windows Mixed reality, que já vem instalado no Windows 10, não é necessário baixar nenhum software. Somente é preciso plugar os conectores USB e HDMI e vestir os óculos.

Ao fazer isso, a janela do Windows Mixed Reality abre na tela do computador e já conseguimos ver a inicialização do sistema pelo óculos. Em seguida ligamos os dois controladores de movimento (um para cada mão) e podemos “andar” pelo ambiente do Windows Mixed Reality.

Nele podemos navegar pelo Internet Explorer, digitando pelo teclado virtual ou simplesmente ditando os links que queremos acessar. Mas uma coisa é certa: não vamos querer ficar navegando em sites. A experiência é realmente “andar” pelas salas do ambiente projetado, com a ajuda dos controladores e selecionar as ações de cada aplicação.

Óculos Samsung HMD Odyssey+ : a experiência

A loja da Microsoft já dispõe de vários títulos para usar a realidade misturada. São vários jogos, que tem preços bem variados, de R$ 45 a R$ 190. Mas já existe uma boa quantidade de jogos e aplicações gratuitas também.

Há jogos simples como o HALO Recruit em que usamos os controles como armas e fazemos o papel de um soldado trainee em uma sala com alvos. Conforme sua pontuação final, você é aprovado para fazer parte do time de elite. Mas esse jogo gratuito para na parte de treinamento.

Reprodução

Uma das aplicações de realidade virtual da plataforma Steam, onde é possível explorar o cropo humano

O que posso dizer que é realmente incrível como nosso cérebro é “enganado”. Porque a sensação é de estarmos em uma sala, segurando armas reais e vendo os tiros atravessar o ambiente como se estivéssemos lá. Tanto assim é que, por várias vezes bati os controles na mesa porque o cérebro esquece completamente que nosso corpo está no ambiente real.

Outras aplicações menos violentas e mais educativas podem ser encontradas gratuitamente também, como uma viagem pela Roma antiga andando por dentro de construções históricas.

Outra plataforma que o HMD Odyssey+ é compatível a Steam VR. Ela gem bons jogos e a experiência com o pacote chamado The Lab, é viciante. É um ambiente com várias experiências, como um estudo do corpo humano, no qual é possível, por exemplo, ver um esqueleto humano e recortar suas partes para ver todos os detalhes. É possível andar em volta dele e cortar as partes desejadas para ver detalhes.

Reprodução

É possível jogar sentado, se movimentando pelo joystick do controle ou, se preferir jogar em pé, é possível se movimentar pela sala, mas essa opção requer um bom espaço vazio para não tropeçar nos móveis

Em outra parte da sala do Lab podemos entrar no sistema solar e “voar” entre os planetas em movimento. Podemos ir a qualquer ponto da galáxia e até pegar os planetas. Na parte de diversão temos jogos como defenda o castelo, onde fazemos o papel de um arqueiro que precisa acertar os inimigos antes que eles quebrem o portão principal do castelo.

A sensação de estar em cima da muralha é muito real, principalmente quando movemos a cabeça para acompanhar os movimentos dos inimigos. E, se houver espaço em sua sala, é possível andar pelos muros do castelo para encontrar as melhores posições de ataque.

O cabo do HMD Odyssey+ tem 4 metros de comprimento, mas aconselho que, se for andar, tenha uma pessoa por perto.. uma “topada” no sofá ou mesmo na parede é bem fácil de ocorrer no calor da emoção ou mesmo na imersão de uma simples caminhada em uma visita a um monumento histórico.

Óculos Samsung HMD Odyssey+: requisitos mínimos para uso

  • Windows 10 atualizado;

  • Processador Intel Core i5 7200U, dual-core com Hyper-Threading ativado (ou melhor);

  • 8 GB de memória RAM;

  • Chips gráficos: Intel HD Graphics 620 (ou melhor) compatível com DirectX 12 / NVIDIA MX150 / NVIDIA GeForce GTX 965M / AMD Radeon RX460/560;

  • Windows Display Driver Model (WDDM) 2.2;

  • HDMI 1.4;

  • Tela/monitor externo com conexão VGA (800 x 600 pixels) ou superior;

  • USB 3.0;

  • Bluetooth 4.0.

Óculos Samsung HMD Odyssey+ : conclusão

Essa versão do óculos da Samsung ganhou melhorias no conforto e na definição das imagens. Para quem ainda tem dúvidas sobre a sensação de realismo, posso dizer com tranquilidade que a experiência é excelente. A imersão no ambiente escolhido é total, fazendo o cérebro esquecer que estamos em uma sala, seja sentado na cadeira ou em pé andando pela local.

A loja da Microsoft tem vários títulos de jogos em VR, pagos e gratuitos. Os jogos tem o mesmo preço de jogos normais. A plataforma de jogos Steam também traz títulos interessantes para o HMD Odyssey+. Essa versão do óculos da Samsung está mais confortável e ganhou melhorias na visualização das imagens.

Além de jogos, há aplicações educativas, como visitação a Roma antiga e aplicação para ver o corpo humano. Por fim, o HMD Odyssey+ tem um grande ponto positivo na facilidade de instalação: basta conectar os cabos USB e HDMI no computador e pronto. Náo é preciso drivers e nem periféricos adicionais.A realidade virtual, ou misturada, como explicada no texto, está em franco desenvolvimento no mundo, mas, no Brasil, o problema ainda esbarra no preço para se popularizar. O HMD Odyssey+, por exemplo, tem preço médio de R$ 3.100.

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