Tudo o que você precisa saber sobre os cabos submarinos de internet

Eles são quilométricos, resistentes e indispensáveis para o mundo moderno. Os cabos submarinos surgiram mais de um século antes das primeiras conexões à internet e até hoje são utilizados para possibilitar a conexão entre pessoas de praticamente qualquer lugar do planeta.

No entanto, pouca coisa realmente se sabe sobre a tecnologia e o Olhar Digital preparou um guia com tudo o que você precisa saber sobre os cabos submarinos.

De 1858...

Embora ocorram divergências sobre as datas, as primeiras conexões foram registradas meados da década de 1850, poucos anos após a invenção do telégrafo, em 1837. O primeiro cabo foi lançado ao mar em 1858 e ligava a Inglaterra com a América do Norte.

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Frágeis, eles eram protegidos por uma mistura de cânhamo alcatroado (uma espécie de tecido produzido com a folha da planta Cannabis) com borracha indiana.

A largura de banda era limitada e permitia que apenas duas palavras fossem transmitidas por minuto. A primeira mensagem transportada de um ponto ao outro foi: “Glory to God in the highest, and on Earth, peace, good will to men” (“Glória a Deus no alto, e na Terra paz e boa vontade aos homens”, na tradução).

... Para 2016

De lá para cá muita coisa mudou e, atualmente, as conexões submarinas atravessam distâncias continentais. Para que isso fosse possível, a tecnologia dos cabos evoluiu de modo que a proteção do componente agora é feita por fibra ótica.

Em 2013, a TeleGeography registrou as ligações dos cabos submarinos em um mapa interativo que é visto abaixo e pode ser acessado de forma dinâmica no site da empresa.

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Hoje em dia os cabos conectam todos os continentes, exceto a Antártida, como mostra a página Submarine Map Cable, que exibe as conexões entre países e continentes ao redor do globo. 

Como funcionam

Para que os dados sejam passados de um continente para o outro, os cabos funcionam de forma complexa. Para simplificar, suponha que você enviou uma mensagem de e-mail para algum amigo. Essa mensagem, então, é convertida em dados criptografados que viajam do seu modem para o provedor de internet e, em seguida, para uma rede de conexões.

Reprodução/Telecom

A rede de conexões, por sua vez, transporta os dados até o backbone, a chamada “espinha-dorsal da internet”. Esses backbones correspondem a rede de cabos de internet. Ou seja, eles são as estradas que carregam as informações. 

Transporte rápido

A velocidade de tráfego é extremamente alta. Somente assim uma mensagem enviada do Brasil chegaria ao Japão de forma praticamente instantânea com serviços como Facebook, WhatsApp e outros.

Atualmente a velocidade média de transmissão de dados pelos cabos é de aproximadamente 4 Tbps (terabits por segundo). Há projetos em andamento que prometem multiplicar esse número.

De acordo com o portal TeleSíntese, a empresa Seaborn Networks, por exemplo, concluiu em janeiro a captação de US$ 500 milhões para a construção de um cabo que ligará São Paulo até Nova York, nos Estados Unidos, com a transmissão de dados ocorrendo em 72 Tbps.

O Google também tem seus projetos que envolvem cabos de 60 Tbps entre os Estados Unidos e Japão. Para efeito de comparação, a empresa de tecnologia afirmou que a velocidade de 60 Tbps é cerca de 10 milhões de vezes mais rápida do que a taxa de tráfego de dados de um modem convencional.

Comida de tubarão

Não pense que os cabos submarinos passam desapercebidos da fauna marítima. Alguns vídeos na internet já mostram tubarões e outros animais interagindo com a tecnologia de forma bem selvagem.

O Google, por exemplo, foi uma das empresas afetadas pelo cardume de peixes. Segundo informações do The Guardian, os tubarões atacaram as estruturas subaquáticas que a empresa montou para possibilitar a construção de cabos submarinos que ligam os Estados Unidos ao Japão.

Seguros?

Uma das formas de roubar informações de usuários consiste em interceptar o trajeto dos dados utilizando ferramentas que criam “desvios” nos cabos submarinos. Não é incomum ver notícias de que a Marinha dos Estados Unidos está realizando investigações para procurar adulterações nas ligações.

E isso não é uma novidade. No final da década de 1950, havia a suspeita de que navios russos estariam interceptando as comunicações norte-americanas. Anos depois, já nos anos 1970, durante a Guerra Fria, a “Operação Ivy Bells”, como ficou sendo chamada, consistiu em uma ação secreta de departamentos ligados a segurança nacional dos Estados Unidos para explorar as comunicações soviéticas que eram transmitidas pelos cabos.

Reprodução/CNN

Atualmente há formas de instalar equipamentos diretamente nos cabos.  De acordo com o documentário “Inside: The Dark Web”, produzido pela BBC, o sinal dos cabos é enfraquecido a cada 80 quilômetros. Para evitar a interrupção da conexão, há um mecanismo específico que funciona como um repetidor de sinal. É justamente este ponto que tem a segurança ameaçada.

Lá, hackers montam condutores óticos que copiam as informações e as retransmitem em outra direção. Dessa forma, os dados chegam ao destinatário como se nada tivesse acontecido.   

Para se proteger das ameaças virtuais e garantir mais segurança às comunicações, o Brasil está investindo na segurança dos dados transmitidos por cabos submarinos. O país e a União Europeia estão trabalhando na construção de um componente que irá ligar Fortaleza a Lisboa, em Portugal.

O novo cabo não passa pela América do Norte, o que impossibilita a interceptação direta por países como Estados Unidos, e dá acesso direto a alguns dos maiores Pontos de Troca de Tráfego (TPP) do mundo, como Frankfurt, na Alemanha, Londres, na Inglaterra, Amsterdã, na Holanda, e Paris, na França.

Anunciado em 2015, ele tem 5.875 quilômetros de extensão e exigiu investimentos de US$ 185 milhões. A previsão do Governo Federal é de que o cabo esteja em funcionamento já no início de 2018.

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