Uber tinha 'botão de emergência' que bloqueava PCs em caso de operação policial

O ano de 2017 não foi bom para a Uber, com uma série de casos que destacaram uma cultura tóxica dentro da empresa, além da confissão de um megavazamento de dados que foi abafado. Agora com um novo CEO, outras medidas polêmicas da empresa estão vindo à luz, começando por um programa secreto chamado “Ripley”.

A Uber enfrenta problemas com autoridades desde seus primórdios. É parte de sua estratégia agressiva para entrar em novos mercados. No entanto, isso gera alguns transtornos, incluindo operações policiais surpresa em seus escritórios. O Ripley foi criado exatamente para garantir que nenhuma autoridade teria acesso a alguma informação indevida.

Na prática, o sistema funciona como um botão de emergência para desligar e bloquear computadores em caso de uma operação policial, como descrito pela Bloomberg sobre um caso ocorrido em 2015 no Quebec, no Canadá.

“Em maio de 2015, cerca de 10 investigadores das autoridades fiscais do Quebec entraram de surpresa no escritório da Uber em Montreal. As autoridades acreditavam que a Uber havia violado leis fiscais e tinham um mandado para coletar evidências. Os responsáveis no estabelecimento já sabiam o que fazer, dizem as pessoas com conhecimento do caso.

Como vários gerentes da Uber em escritórios estrangeiros, eles foram treinados para enviar uma mensagem para um número que alertava funcionários especialmente treinados na sede da empresa em San Francisco. Quando a chamada chegava, a equipe rapidamente fazia o logoff remoto de todos os computadores no escritório de Montreal, tornando quase impossível para as autoridades recuperar os dados para o qual elas haviam recebido um mandado. Assim, os investigadores saíram sem qualquer evidência.”

O Ripley ia além de bloquear computadores, no entanto. A publicação menciona que a equipe responsável era capaz de trocar senhas, e bloquear informações em celulares, laptops, tablets e basicamente todos os equipamentos pertencentes à empresa.

A Uber não nega a existência desse programa, mas diz que a utilização não tinha como objetivo atrasar ou impedir investigações, mas sim proteger informações dos usuários. “Como todas as empresas ao redor do mundo, temos procedimentos de segurança para proteger informações corporativas e dos clientes. Em caso de investigações governamentais, é nossa política cooperar com todas as buscas válidas e solicitações por dados”. No entanto, a Bloomberg diz que o sistema efetivamente foi usado para atrasar investigações legítimas.

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