Zuckerberg assume culpa por erros do Facebook em resposta ao congresso dos EUA

Na próxima quarta-feira, 11, o CEO e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, vai comparecer a uma audiência na Câmara de Deputados dos Estados Unidos. Parte do depoimento que o executivo dará aos parlamentares foi divulgado nesta segunda-feira, 9.

O documento de sete páginas é assinado por Zuckerberg e passa por uma série de tópicos, desde a interferência de agentes russos nas eleições de 2016, a propagação de notícias falsas ("fake news"), discursos de ódio e o recente e maior escândalo da empresa.

Os deputados norte-americanos exigiram a presença de Zuckerberg para falar sobre Cambridge Analytica, a empresa de marketing focada em campanhas políticas que teve acesso a dados de mais de 80 milhões de usuários do Facebook indevidamente.

Zuckerberg começa seu depoimento falando sobre o que o Facebook já fez de bom, na sua opinião. "Recentemente, nós vimos o movimento #metoo e a Marcha por Nossas Vidas organizados, em parte, no Facebook. Após o furacão Harvey, pessoas levantaram mais de US$ 20 milhões para o socorro [das vítimas]. E mais de 70 milhões de pequenos negócios usam o Facebook para crescer e gerar emprego."

"Mas está claro agora que nós não fizemos o bastante para impedir que essas ferramentas [da rede social] fossem usadas para causar dano também", completa Zuckerberg. "Nós não tivemos uma visão ampla o bastante da nossa responsabilidade, e este foi um grande erro. Foi o meu erro, e eu sinto muito. Eu comecei o Facebook, eu comando e eu sou o responsável pelo que acontece aqui."

Parte deste discurso foi utilizado por Zuckerberg em entrevistas recentes em que o executivo também pediu desculpas pela irresponsabilidade da rede social para com os dados pessoais de usuários. Mais de 1,4 bilhão de pessoas usam o Facebook todo dia.

Zuckerberg então lista todas as ações que a rede social tem tomado para mitigar os efeitos do escândalo da Cambridge Analytica, como oferecer menos dados de usuários a desenvolvedores e dar mais opções para que usuários possam controlar quais informações são compartilhadas e com quem.

O CEO afirma que o Facebook já tomou precauções quanto a casos desse tipo quatro anos atrás, mas admite que "também cometemos erros, há mais o que precisa ser feito e nós precisamos tomar a atitude de fazer [o que é preciso]". Em seguida, o executivo fala sobre a interferência russa nas eleições dos EUA.

No ano passado, descobriu-se que contas ligadas a pessoas e agências russas pagaram para que o Facebook promovesse posts de conteúdo político, muitos deles denegrindo a imagem da candidata Republicana à presidência, Hilary Clinton, com o objetivo de manipular a opinião pública.

O CEO também fala sobre o que a rede social tem feito para corrigir sua postura neste campo, como a criação de ferramentas para detectar contas falsas e mudanças nas relações com anunciantes. Em seu depoimento preparado, Zuckerberg só não se estende muito a falar sobre fake news e discurso de ódio.

"Nós demoramos demais para identificar e responder à interferência russa, e estamos trabalhando duro para melhorar", diz Zuckerberg. "Faremos a nossa parte não apenas para garantir a integridade de eleições livres e justas ao redor do mundo, mas também para dar uma voz a todos."

O documento conclui dizendo: "Quando nós resolvermos estes problemas, sei que olharemos para trás e veremos que ajudar as pessoas a se conectarem e dar mais voz a elas é uma força positiva no mundo". Até quarta-feira, alguma parte deste depoimento ainda pode mudar.

Após este pronunciamento, Zuckerberg deverá responder perguntas dos parlamentares - e, neste ponto, não há texto preparado, ele vai ter que improvisar. Além deste encontro na Câmara, o executivo também deverá se apresentar ao Senado na terça-feira, 10.

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