Zuckerberg deve se reunir com organizadores de boicote ao Facebook

Movimento Stop Hate For Profit pressiona o Facebook a adotar medidas contra o discurso de ódio na rede social. Iniciativa já tem adesão de mais de 400 marcas

Victor Pinheiro 01/07/2020 16h07
Mark Zuckerberg
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O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, vai se reunir com organizadores do movimento "Stop Hate For Profit", afirmou uma representante da empresa em entrevista à agência de notícias Reuters.


Promovida por uma série de entidades de direitos humanos, a campanha propõe que companhias suspendam a contratação de serviços de anúncios da rede social durante o mês de julho, para pressionar a plataforma a adotar novas medidas de combate à desinformação e o discurso de ódio. O boicote já recebeu a adesão de mais de 400 marcas, incluindo a Unilever, Coca-Cola e Starbucks.

De acordo com a Reuters, na semana passada o Chefe de Operações do Facebook, Sheryl Sandberg, já havia solicitado um encontro com entidades que lideram a campanha, ao lado do chefe de produtos da empresa, Chris Cox. As organizações, no entanto, insistiram que Zuckerberg também participe das conversas, uma vez que ele é o principal acionista da big tech.

O Facebook ainda tentou convencer anunciantes a desistirem da companha. Na terça-feira (30), a vice-presidente da negócios globais da gigante de tecnologia, Caroyln Everson e o diretor de políticas públicas, Neil Potts, se reunirem com ao menos dois anunciantes.

Reprodução

CEO do Facebook, Mark Zuckerberg. Imagem: Reprodução

Fontes internas ouvidas pela Reuters, entretanto, afirmaram que os executivos não ofereceram novos detalhes de como a rede social pretende combater o discurso de ódio, e mesmo após citarem medidas recentes tomadas pela empresa, os representantes do Facebook não conseguiram convencer os clientes.

A campanha

A Stop Hate for Profit surgiu em meio às manifestações contra o racismo e a violência policial nos Estados Unidos, deflagradas após o assassinato de George Floyd por oficiais brancos.

A campanha acusa o Facebook de permitir a incitação de violência contra manifestantes e não combater apropriadamente grupos de supremacistas brancos na plataforma. O movimento defende ainda que a rede social obtém lucro a partir do engajamento gerado com ações de ódio e desinformação, e sugere que anunciantes devem evitar que suas marcas e produtos sejam apresentadas a usuários ao lado desses tipos de conteúdo.

Uma das principais críticas ao Facebook remete à inatividade da companhia diante de uma publicação do presidente norte-americano, Donald Trump, que incita violência contra participantes dos protestos. No Twitter, o mesmo conteúdo foi notificado com alerta de que o material violava as regras da plataforma.

Sem citar o movimento, o Facebook anunciou na sexta-feira (26) novas regras de moderação, como a instituição de avisos em publicações consideradas "importantes de serem noticiadas", mas que violam as diretrizes da plataforma. Isso inclui materiais compartilhados por políticos e outras categorias de figuras públicas.

A rede social ainda vai aplicar as políticas de restrição de discursos de ódio a anúncios, coibindo propagandas que incitam discriminações contra qualquer religião, nacionalidade, etnia, raça e condição migratória. Ainda nesta semana, o Facebook anunciou que vai fazer uma auditoria sobre suas políticas de moderação de discurso de ódio.

Medidas insuficientes

As iniciativas, no entanto, não foram suficientes para frear a Stop Hate for Profit. Os organizadores argumentam que a empresa não forneceu detalhes de um plano de ação claro e pontuam que o Facebook deixou de apresentar ações para restringir grupos públicos e privados com temas racistas, discriminatórios ou voltados à desinformação.

As organizações apoiam que os posts considerados "importantes para serem noticiados", mas que promovem a violência, não devem ser só etiquetados e, sim, excluídos da plataforma. Elas dizem também que faltam detalhes sobre o processo de auditoria externa e como os resultados serão divulgados.

As medidas defendidas pela Stop Hate for Profit ainda englobam o suporte à vítimas de assédio na rede social. Confira as 10 ações recomendadas pelo movimento:

 

  • Estabelecer uma infraestrutura de direitos civis, incluindo executivos de alto escalão capazes de avaliar produtos e políticas para discriminação, vieses e ódio;
  • Submissão a auditorias externas regulares sobre discursos de ódio e desinformação, com resultados publicamente acessíveis;
  • Oferecer auditoria e reembolso a anunciantes cujas marcas foram expostas ao lado de conteúdo que foi excluído por violar termos de serviço;
  • Encontrar e remover grupos públicos e privados que se baseiem em temas como supremacia branca, milícias, antissemitismo, conspirações violentas, negação do
  • Holocausto, desinformação sobre vacinas e negação das mudanças climáticas;
  • Implementação de termos de serviço que ajudem a limitar e eliminar discursos radicais da rede social;
  • Não recomendar ou amplificar discursos e conteúdos associados ao ódio, desinformação ou conspiração;
  • Criar mecanismos que marquem automaticamente conteúdo de ódio em grupos privados para avaliação humana;
  • Garantir a precisão de informações políticas eliminando a exceção para políticos, proibir desinformação sobre eleições e chamados de violência por políticos em qualquer formato;
  • Criar times de especialistas para analisar ódio baseado em identidade e assédio;
  • Possibilitar que indivíduos enfrentando ódio e assédio severos possam se conectar com um funcionário do Facebook.

Fonte: Fox Business (Via Reuters)


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