A estratégia da Xiaomi para encarar a crise brasileira

O cenário atual da economia brasileira apresenta uma série de desafios, mas Leo Marroig, diretor-geral da Xiaomi para a América Latina, enxerga nele um “grande momento de oportunidades”. O executivo da fabricante chinesa de smartphones conversou com o Olhar Digital sobre a estratégia da empresa em meio a crise e sobre as particularidades do mercado brasileiro.

Estratégia

O objetivo da empresa, segundo o executivo, gira em torno de sua missão de levar inovação para todos: “dar ao consumidor, a cada segmento de preço, uma proposta de valor incrível”, resume. Oferecer dispositivos com preços tão competitivos, segundo Marroig, é possível graças a três pilares de seu modelo de negócios.

O primeiro deles é a venda direta: ao vender seus dispositivos principalmente por seus próprios meios, a Xiaomi consegue “eliminar”os intermediários e, com isso, chegar até seus clientes com um preço menor. Isso também estabelece um canal direto de comunicação com os consumidores da marca.

Outro ponto importante é o marketing: a Xiaomi atua principalmente em canais digitais e mídias sociais. Isso permite que a empresa atinja um público mais jovem e conectado e, por outro lado, também evita os custos associados aos meios mais tradicionais, como televisão e mídia impressa.

Finalmente, a marca procura estabelecer uma relação bastante próxima com seus consumidores, os “Mi Fãs”. Tomando o exemplo da MIUI (interface dos smartphones da Xiaomi), Marroig explica que eles lançam, a cada semana, uma nova versão beta do sistema, com uma nova versão estável a cada 6 semanas.

Segundo Marroig, cerca de 50% das alterações e novidades incluídas em cada novo lançamento vêm dos mais de 15 milhões de usuários beta que recebem as atualizações semanais. Com isso, “os consumidores atuam no ciclo de desenvolvimento dos produtos”, explica.

Chegada ao Brasil

Por mais que o Brasil fosse longe da China, a transposição do modelo de negócios da Xiaomi para cá não foi tão conturbada, segundo Marroig. “Foi natural trazer a marca para cá, porque o país já se parecia comportar o nosso modelo”, diz.

Um dos motivos para isso é o fato de que, segundo o executivo, o e-commerce brasileiro vem crescendo rapidamente, ano a ano - uma característica essencial para o modelo de negócios da empresa. Além disso, trata-se, de acordo com ele, do 4º maior mercado de smartphones do mundo, e que, como outros países em desenvolvimento, apresenta uma sensibilidade a preços que a Xiaomi poderia explorar.

Além disso, porém, o Brasil e os países da América Latina de maneira geral, segundo Marroig, mostram um alto engajamento em mídias sociais. Como a estratégia de marketing da Xiaomi gira bastante em torno desses canais, esse foi mais um dos fatores que motivou a vinda da empresa para cá.

O executivo da Xiaomi acredita que a empresa poderia oferecer uma boa proposta de valor em qualquer segmento de preço. A escolha de entrar no Brasil com o Redmi 2, portanto, foi motivada pelo fato de que, agindo na faixa de preço do aparelho (que custa R$ 500 no site da empresa), a marca poderia chegar ao maior número de pessoas possível.

Momento atual

Marroig não vê no cenário atual do Brasil algo com que se preocupar. Pelo contrário: ele enxerga com “total otimismo” a conjuntura econômica. “As empresas precisam se reinventar. Grandes empresas nascem e crescem em cenários como esse”, diz.

Ele cita alguns exemplos de startups do setor de tecnologia qe conseguem triunfar no momento atual. Uma delas é a Trocafone, com a qual a Xiaomi tem uma parceria, que compra celulares usados para revendê-los depois, que consegue “aproveitar um momento de sensibilidade de preço” para atuar.

Outra é a Emprego Ligado, empresa que gerencia um aplicativo de oportunidades de emprego com base em geolocalização. Essa forma de busca por empregos gera “uma série de eficiências”, segundo o executibo, como reduzir os deslocamentos (e os gastos associados).

Marroig, que chegou à Xiaomi após passar por uma série de empresas multinacionais, como GE e HP, não está desacostumado com desafios: o executivo viajou até a China e passou por treze entrevistas antes de assumir o cargo de Diretor Geral da Xiaomi para a América Latina em junho de 2014. 

O desafio que ele e ampresa encaram agora não é apenas o de gerenciar a maior cadeia de suprimentos da Xiaomi - já que componentes, peças e produtos precisam viajar da China até aqui - mas também de tocar a primeira manufatura da Xiaomi fora da Ásia. Atualmente, alguns dos produtos da empresa são produzidos pela Foxconn em Jundiaí.

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