Por que a Amazon planeja expandir seus escritórios no mundo pós-Covid-19

Enquanto muitos falam em expansão do home office, a Amazon parece estar caminhando em sentido oposto, ampliando sua presença física

Da Redação, editado por Daniel Junqueira 31/08/2020 14h40
Escritório
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Quem olhar para movimentos das gigantes de tecnologia em busca de dicas sobre o futuro dos escritórios pode ficar um pouco confuso. A Amazon recentemente anunciou um investimento de US$ 1,4 bilhão (R$ 7,685 bilhões em conversão direta) em escritórios para 3.500 novas vagas em novas sedes espalhadas pelos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que empresas como o Twitter e o Facebook adotaram o home office para seus funcionários indeterminadamente.


O que está acontecendo, exatamente? E qual dos movimentos dão mais dicas do que podemos esperar para o futuro do trabalho pós-pandemia da Covid-19? A resposta pode ser um pouco dos dois.

Quando grandes empresas de tecnologia pensam sobre suas estratégias de negócio durante a pandemia, cada vez mais elas estão reavaliando suas presenças nos escritórios, afirma Sanjay Rishi, o diretor de operações do setor de soluções corporativas da firma imobiliária JLL. E essa presença tem encolhido e expandido ao mesmo tempo. “Tenho dedicado, ao longo dos últimos dois a três meses, como você deve imaginar, uma grande quantidade de tempo interagindo com os setores executivos de alto escalão de nossos clientes,” continua Rishi. “Pela perspectiva tendências, o ramo imobiliário nunca esteve tão alinhado com os executivos de alto escalão como agora,” conclui.

Mesmo se recusando a dar o nome de quais grandes empresas de tecnologia são clientes da JLL, Sanjay disse que a lista inclui “todos os nomes que você pensar.” Ele também afirma que a maioria delas está tentando compreender não só o que devem fazer com seus escritórios, mas como tais locais podem ajudá-las a encontrar e manter talentos em suas equipes. “A maior preocupação e questionamento que chega até mim é sobre atrair e manter talentos e sobre cultura, a cultura de inovação e a colaboração,” diz Sanjay.

home-office.jpgHome Office se confirmou como uma opção segura em tempos de pandemia e foi adotada por gigantes da tecnologia. Imagem: Pexels

Durante o anúncio de expansão, a vice presidente de recursos humanos da Amazon, Beth Galetti, explicou que os novos escritórios “estarão em cidades por todo o país com diversos tanque de talentos. Esperamos ajudar essas comunidades a crescer sua força de trabalho tecnológico.” E em cidades como Detroit, Dallas e Denver, onde o custo de vida é mais baixo do que nos grandes polos tecnológicos como o Vale do Silício, Seattle e Nova York, essa força de trabalho de tecnologia que a Amazon tanto busca pode chegar por um custo bem mais baixo.

O Twitter afirma que a flexibilização de trabalho, permitindo que seus funcionários fiquem em casa parte da “ênfase na descentralização e suporte a distribuição da força de trabalho capaz de produzir de qualquer lugar,” de acordo com o pronunciamento da empresa em maio. “Se nossos funcionários estão numa posição e situação que os permite trabalhar de casa e eles quiserem continuar a fazê-lo para sempre, faremos isso acontecer. Se não, nossos escritórios estão de braços aberto para recebê-los, com alguns cuidados adicionais e quando nos sentirmos seguros a voltar.”

Trabalho remoto é o futuro?

De acordo com a pesquisa do McKinsey & Company, empresa dedicada a consultoria e melhora empresarial em várias escalas e setores, muitos funcionários estão abertos à idéia de continuarem a trabalhar de casa. Em uma pesquisa, 80% disseram estar gostando de trabalhar em home office, e 41% disseram que se sentem mais produtivos nestes ambientes.

Mas Sanjay Rishi diz que os empregadores veem isso de maneira diferente. Líderes de empresas confidenciaram a ele que embora consigam operar seus negócios de maneira remota, poucos deles acham que conseguem fazer suas empresas crescerem dessa forma.

"Devido à Covid-19 e ao fato de que trabalho remoto é aceito e reconhecido, imaginar que os escritórios vão deixar de existir é uma maneira muito simplória de enxergar o mundo de amanhã," diz Rishi. "A equação é muito mais complexa, e a complexidade vem do risco de portabilização de talento, o que no setor de tecnologia é algo muito grande, sempre foi e sempre será," continuou.

Para programadores qualificados e desenvolvedores web, as habilidades necessárias para conseguir um emprego no Facebook não são muito diferentes das necessárias para uma vaga no Twitter por exemplo, o que faz esses funcionários trocarem de empresas com muita facilidade.

coding33f51ed4ece8fd9e.jpgProgramação e desenvolvimento web são algumas das carreiras que devem crescer na próxima década. Imagem: Pexels

E a demanda para esse tipo de funcionário deve aumentar. Para a Agência Norte Americana de Estatística de Trabalho, a estimativa é de que haverá um crescimento de 12% no setor de computação e tecnologia entre os anos de 2018 e 2028, acima da média de todas as outras profissões. As empresas de tecnologia estão em constante competição por esses talentos segundo Sanjay, e ele suspeita que quanto mais tempo ele trabalhar de casa, mais fácil ele será atraído por outra empresa. O empregado “pode sair de um emprego e arrumar outro amanhã, depois de amanhã e assim por diante,” ele diz.

De acordo com números do Ministério do Trabalho dos EUA, alguns dos programadores que estão chegando ao país com o visto de trabalho estão recebendo salários na casa de centenas de milhares de dólares pelo Facebook e Google e um caso chegou a quase US$ 2 bilhões de dólares por ano, uma quantia muito acima do normal para um trabalhador da área.

A tendência, segundo Rishi, é que empresas sigam mais o caminho da Amazon abrindo escritórios em áreas conhecidas por seus talentos, em vez de simplesmente deixá-los trabalhar onde quiserem. Mas ainda é cedo para afirmar que esse será o futuro. "As mudanças não virão antes da vacina," concluiu o executivo.

Via: Fast Company


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