França define data para o fim dos carros a combustão

Depois de a Volvo anunciar que vai parar de fabricar carros movidos apenas a combustão até 2019, o governo da França anunciou hoje que vai banir a venda de carros desse tipo até 2040. O anúncio, segundo o Guardian, foi feito pelo governo de Emmanuel Macron como parte de um plano ambicioso para atingir as metas do acordo de clima de Paris.

Nicolas Hulot, o ministro de ecologia do país, foi quem fez o anúncio, que segundo ele representava uma "verdadeira revolução". Hulot reconheceu que seria um desafio para as montadoras, mas disse que tinha confiança de que elas "têm ideias suficientes na gaveta para conseguir atingir essa meta, que também é uma questão de saúde pública".

Isso porque a eliminação dos carros a combustão também é "uma maneira de lutar contra a poluição do ar", segundo Hulot. Pascal Canfin, o diretor da ONG WWF na França, considerou que a decisão do governo "coloca a França entre os líderes mundiais das ações contra mudanças climáticas". Por outro lado, Tony Seba, um pesquisador da indústria automotiva, considerou que o plano da França "é como proibir a venda de cavalos de transporte até 2040: já não haverá mais nenhum para se proibir".

A opinião de Hulot quanto ao preparo da indústria automobilística francesa para encarar essa proibição é bem embasada. De acordo com dados da Agência Europeia do Meio Ambiente citados pelo Guardian, as três montadoras de grande porte com menos responsabilidade por emissão de carbono eram francesas (Peugeot, Citroën e Renault em primeiro, segundo e terceiro lugar, respectivamente). 

Tá pouco

Os planos da França para evitar o aquecimento global não pararam por aí, segundo o Engadget. O governo também se comprometeu a estabelecer um "imposto de carbono", que poderá onerar as empresas em mais de 100 euros por tonelada de carbono emitida. O país também deverá parar de emitir licenças para exploração de petróleo e estabelecer incentivos para a geração de energia por meios renováveis.

Esses planos, segundo o professor David Bayley, da Universidade de Aston, um especialista da indústria automotiva, são importantes. "Se forem bem executados, eles podem mandar uma mensagem muito clara às montadoras e aos consumidores sobre a direção do mercado, e podem acelerar a transição para carros elétricos."

Vale lembrar que a França não é o primeiro país a adotar medidas desse tipo. A Alemanha, por exemplo, já anunciou que proibirá a venda de carros movidos a combustão interna até 2030 - mesmo ano proposto pela Índia, segundo o Times of India -, e Holanda e Noruega também têm planos semelhantes para ainda mais cedo: 2025.





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