Uber abre investigação 'urgente' sobre denúncias de assédio dentro da empresa

A Uber começou a semana com uma enorme polêmica para resolver. No domingo, 19, uma ex-engenheira da companhia publicou um texto contando por que decidiu deixar seu posto, e os motivos envolvem assédio sexual e uma escala hierárquica que protege os predadores de acordo com suas performances.

O desabafo foi escrito por Susan J. Fowler. Ela chegou à Uber em novembro de 2015 e teve a oportunidade de escolher uma equipe para se encaixar. Logo no seu primeiro dia como SRE (pessoal responsável por manutenção e desenvolvimento de soluções focadas em computação em nuvem), ela recebeu mensagens constrangedoras do gerente local. Ele dizia que estava em um relacionamento aberto, mas que não conseguia arrumar parceiras com a mesma facilidade que sua namorada. "Estava claro que ele estava tentando me convencer a fazer sexo com ele", escreveu.

Susan imediatamente fez capturas de tela e enviou uma reclamação ao departamento de recursos humanos, e foi aí que começou uma luta interna que só terminaria com sua desistência de permanecer na Uber. Para começar, o sujeito não foi punido e ela se viu tendo que escolher entre continuar trabalhando com ele sob o risco de ser mal avaliada (e a empresa disse que não poderia fazer nada a respeito) ou mudar de time — foi o que ela fez, mesmo tendo experiência com o trabalho a ser executado na área que deixava para trás.

O extenso relato conta como o RH e os gerentes mais altos defendiam assediadores que tivessem desempenho positivo. Conversando com outras mulheres, Susan percebeu inclusive que seu gerente já tinha sido denunciado antes, e, assim como ocorreu com ela, nos outros casos o RH sempre dizia que fora um primeiro deslize do tal gerente e que este não poderia ser punido.

Mais tarde, a engenheira teve pedidos de transferência negados por razões mal explicadas, e chegou a ouvir de um gerente que ela poderia ser demitida se continuasse fazendo denúncias ao RH — sem contar que o próprio RH reclamou que ela vinha guardando capturas de tela sobre esses assuntos como prova.

"No meu último dia na Uber, calculei a porcentagem de mulheres que ainda estava na [minha] organização. De mais de 150 engenheiros nas equipes de SRE, apenas 3% eram mulheres", ressaltou, lembrando que essa taxa era de 25% quando ela chegou à empresa.

Diante do relato, que viralizou rapidamente, o CEO da Uber, Travis Kalanick, se pronunciou pelo Twitter, dizendo que as situações descritas por Susan destoam do que a empresa acredita. "Qualquer um que se comporte desse jeito ou pensa que isso é OK será demitido", garantiu, afirmando que seria realizada uma "investigação urgente" para tratar do caso.

Arianna Huffington, que faz parte do conselho diretor da Uber, também se pronunciou, informando que conversou com Kalanick se propondo a participar das investigações.

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