Países adotam políticas radicais para acabar com carros a combustão

Os elétricos estão saindo da garagem. Poucos ainda, é verdade, mas a frota global vem crescendo mais do que o esperado. No ano passado, segundo a Agência Internacional de Energia, os modelos movidos a bateria somavam dois milhões de veículos nas estradas do mundo. Apesar de representar apenas 1% dos carros vendidos em 2016, o número significa um aumento de 60% em relação a 2015. Até  2025, a expectativa é que os elétricos respondam por, pelo menos, 14% das vendas globais de automóveis.

São diversos os motivos para essa penetração ainda tímida dos veículos elétricos; o principal é, sem dúvida, o preço. Modelos elétricos populares chegam a custar o mesmo que carrões luxuosos com motor a combustão. Mas as perspectivas nesse sentido também são favoráveis: entre 2012 e 2016, o custo das baterias - o item mais caro dos elétricos - caiu pela metade. E de acordo com uma previsão da Bloomberg New Energy Finance, os carros elétricos devem se tornar mais baratos que os carros convencionais entre 2025 e 2030.

Os esforços mundiais para diminuir a poluição atmosférica dão força total aos elétricos. Ainda que a energia produzida para alimentar as baterias não seja livre de gás carbônico, os modelos elétricos não emitem poluentes - o que já pode salvar muitas vidas. A Organização Mundial da Saúde afirma a poluição do ar é responsável pela morte de quase 4 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Nos Estados Unidos, um estudo descobriu que as emissões causadas pelos automóveis matam 53 mil americanos todos os anos; mais do que os 34 mil que perdem suas vidas em acidentes de trânsito no país.

A realidade é que diversos países já estabeleceram metas - algumas até bastante agressivas - para aposentar de vez os veículos a combustão.

Com a poluição em níveis extremos, o país mais populoso do mundo tem pressa para eliminar os carros a gasolina ou diesel. Na Europa, o Conselho Federal da Alemanha aprovou uma resolução sobre a proibição dos veículos a combustão a partir de 2030. O país tem como objetivo maior reduzir a emissão de carbono na atmosfera em 95% até 2050. A Índia planeja que o país se torne uma nação com veículos 100% elétricos em 14 anos. A França diz que quer acabar com as vendas de novos carros com motor a combustão até 2040, enquanto o objetivo da Holanda e da Noruega é 2025. Claro, para isso, é preciso haver compromisso e um grande incentivo governamental - no Brasil, parece que a gente ainda está na contramão dessas metas.

O motor a combustão é o motor mais poderoso da história e revolucionou o século 20. Mas, pelos menos nos veículos, seu reinado não vai ser eterno. A chegada dos elétricos e sua constante evolução mexeu e está transformando - aos poucos - a indústria automobilística. Além de toda a sustentabilidade, os carros elétricos ainda são mais simples, têm menos peças e requerem menos manutenção. Há quem diga que são verdadeiros computadores sobre rodas. Agora é questão de tempo para os elétricos definitivamente transformarem o mundo de maneira profunda e permanente. 



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