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O uso do dinheiro em espécie está perto do fim?

Roseli Andrion, editado por Wharrysson Lacerda 23/11/2019 19h00

Em todo o mundo, o dinheiro é um idoso. No Brasil, por exemplo, a Casa da Moeda foi criada em 1694 por Dom Pedro II, então rei de Portugal, para fabricar moedas de metal. As cédulas de papel são um pouco mais jovens: as primeiras nacionais foram emitidas pelo Banco do Brasil em 1810 e seu valor era preenchido a mão, como nos já quase extintos cheques.

Em seguida, veio o controle da emissão das notas de dinheiro para evitar falsificações e fraudes. De 1866 até o fim do Império, o responsável por essa tarefa foi o então Tesouro Nacional. Com a instalação da República no país, diferentes emissores se revezaram na fabricação de notas, mas, desde os anos 1940, a incumbência é do Banco Central do Brasil.

Embora o dinheiro seja essencial para os pagamentos, ter cédulas e moedas em mãos não é necessário para fazer compras. Isso graças à criação, na década de 1920, do conceito de cartão de crédito. Inicialmente, ele era dado por lojas apenas a consumidores fiéis, para que eles comprassem e pagassem depois. Na década de 1950, um cliente inspirou-se na ideia para pagar a conta do restaurante depois de esquecer de levar a carteira para um jantar com amigos.

Era o executivo americano Frank MacNamara. Em seguida, ele criou o Diners Club Card: um cartão de papel aceito em 27 restaurantes e usado por cerca de 200 executivos, muitos dos quais eram seus amigos. De lá para cá, a ideia se expandiu tanto que, hoje, especialmente nos grandes centros, é raro ver alguém com dinheiro em espécie nas mãos.

Isso não quer dizer, necessariamente, que cédulas e moedas vão ser extintas. O que se tem atualmente é uma aceleração do processo que deve colocá-las em desuso em algum momento. Uma das responsáveis diretas por isso é a tecnologia: a internet trouxe as lojas virtuais e, mais recentemente, as plataformas de serviços. Nelas, a maioria dos pagamentos não envolve o uso de dinheiro em espécie.

Outro aspecto importante, especialmente nos pagamentos do dia a dia, é o fato de os meios eletrônicos serem muito mais seguros e convenientes: se forem perdidos, furtados ou roubados, podem ser bloqueados. Já quem perde dinheiro em espécie sabe bem o quanto dói essa descoberta e o prejuízo causado por ela – que muitas vezes não é recuperável.

Em todo o mundo, os pagamentos eletrônicos vêm aumentando. Aqui no Brasil, o uso de cartões cresceu 17% de janeiro a março de 2019. No mesmo período, o consumo das famílias brasileiras avançou 4,9% e o PIB aumentou 4,2%. Isso mostra que a modalidade tem sido adotada mais amplamente. Até no Japão, onde, culturalmente, há resistência a esse tipo de pagamento, ações do governo buscam torná-lo mais presente.

No Banco Central do Brasil, um grupo de trabalho desenvolve as regras de uso de uma nova opção, os pagamentos instantâneos. Com eles, vai ser possível transferir fundos diretamente entre contas bancárias – ou seja, saem de cena os intermediários.

Hoje, mesmo nos práticos pagamentos por aproximação ou por QR Code, há envolvimento de um cartão.  Se for usado um celular ou um relógio inteligente, por exemplo, o pagamento é direcionado a um cartão pré ou pós-pago.

A ideia por trás da proposta dos pagamentos instantâneos é tornar os custos menores, aumentar a segurança e promover a inclusão financeira. A previsão é de que o ecossistema seja implementado no Brasil daqui a um ano, em novembro de 2020.

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