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Uberização: reflexos da nova economia

Roseli Andrion, editado por Wharrysson Lacerda 23/11/2019 19h00

Todos os dias à tarde, o ritual se repete: ele liga o aplicativo e espera que toque. É o sinal de que há um passageiro em busca de um motorista. Nesse momento, ele tem a opção de aceitar a tarefa e ir ao encontro do cliente. Se preferir, pode recusá-la.

Assim que a aceita, Fábio Cardoso dos Santos, de 42 anos, se dirige até o local indicado para atender o cliente. Então, leva-o até onde ele precisa ir e, ao final, pode aceitar outra corrida oferecida pela plataforma. O processo é contínuo e segue enquanto o aplicativo estiver ligado.

Já faz 3 anos e meio que Fábio atua como Uber. A atividade foi escolhida depois de 15 anos de trabalho na indústria, como técnico em cerâmica, e uma rápida incursão no empreendedorismo. Foi a solução que ele encontrou para se manter ativo quando voltou a morar com os pais, depois de se separar.

Ele conta que é possível ter uma renda de até R$ 6 mil mensais brutos, mas o custo disso são de 12h a 14h diárias de trabalho. Hoje, Fábio diminuiu a carga horária: trabalha 7h diárias, sempre nos períodos da tarde e da noite.

O tempo que ganhou com essa decisão tem sido dedicado a estudar e completar outra graduação. A ideia é, daqui a um tempo, sair gradualmente da plataforma e dar vida a um negócio próprio.

Assim como Fábio, muitos cidadãos se lançaram no universo dos aplicativos – de transporte, de entrega, dos mais diferentes tipos de serviços. Isso transformou a relação das pessoas com o mundo porque deixou a vida mais moderna. A contrapartida é que, com essa mudança, o trabalhador perdeu direitos e teve de se tornar uma microempresa.

Como em todas as atividades, trabalhar para essas plataformas tem vantagens e desvantagens. Fábio aposta no lado positivo para seguir como associado da Uber, mas aponta a segurança e o trânsito intenso diário como aspectos negativos da opção que escolheu.

A Uber tem anunciado frequentemente novas formas de garantir a segurança, tanto de passageiros quanto de motoristas, mas certamente ainda há muito a fazer. E se, por um lado, quebrou o paradigma das relações de trabalho, por outro, trouxe opções para quem buscava renda extra e recolocação.

Além disso, tornou-se referência e inspirou a criação de muitos serviços nos mesmos moldes: ou seja, plataformas que unem prestadores de serviços e contratantes para as mais diversas finalidades. Hoje, é possível contratar de entregadores a profissionais autônomos de diferentes especialidades, com a vantagem de saber como são avaliados por outros usuários.

Enquanto há quem veja a novidade com bons olhos, há aqueles que entendam que o processo de uberização dos serviços tem muitos aspectos negativos. A Uber tem tido de lidar com isso nos diversos mercados em que está presente.

Não há como negar que o mundo mudou e, com ele, vieram novos desafios. Nesse cenário, a uberização é um processo irreversível. Ganham uns, perdem outros, mas o fato é que todos temos de aprender a conviver com essa nova realidade.

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