Um dos maiores mistérios em relação a Saturno é como sua atmosfera pode ser tão quente, mesmo sendo tão distante do Sol. A resposta desse mistério pode ser dada pela sonda Cassini, da Nasa, após 13 anos estudando de perto o planeta.

Analisando dados antigos da nave, desativada desde 2017, cientistas da agência americana e da Agência Espacial Europeia (ESA) sugerem que são as auroras que aquecem a atmosfera de Saturno. O fenômeno é acionado pelo fluxo constante de partículas carregadas de vento solar que, ao interagirem com partículas carregadas que fluem das Luas do planeta, criam correntes elétricas.

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“Os resultados são vitais para nossa compreensão geral das atmosferas planetárias e são uma parte importante do legado da Cassini”, afirmou o coautor do estudo, Tommi Koskinen.

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Foto: Nasa/JPL/ASI/University of Arizona/University of Leicester

Mapa de Saturno

Usando os dados da Cassini, os cientistas criaram um mapa de temperatura e densidade da atmosfera de Saturno, o que possibilitou o estudo de como as correntes elétricas das auroras aquecem a atmosfera superior do planeta, gerando o vento solar. Esse vento, por sua vez, distribui a energia dos polos em direção ao equador, aquecendo até o dobro da temperatura que poderia ser gerada pelo calor do sol.

É comum que dados enviados por naves espaciais continuem fornecendo novas informações muito depois de sua desativação. Estes dados em questão foram captados nos últimos meses de operação da Cassini, quando ela completou vinte e duas órbitas muito próximas do gigante gasoso.

Via: Space