Um estudo divulgado nesta terça-feira (23) pelo Instituto Pasteur, da França, revelou que crianças entre seis e 11 anos de idade transmitem pouco o novo coronavírus na escola, tanto para outras crianças quanto para adultos. Esse estudo é “tranquilizador” para os países que começam a reabrir as escolas.

“Em geral, as crianças são infectadas na família, geralmente através de seus pais, mas depois transmitem pouco na escola”, explica o dr. Arnaud Fontanet, principal autor do estudo.

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A pesquisa corrobora outros trabalhos semelhantes. Porém, seus resultados são preliminares e ainda não foram publicados em um periódico especializado – o que caracteriza sua validação científica, de acordo com o Instituto Pasteur.

O levantamento foi realizado em seis escolas de ensino básico de Crépy-en-Valois, no norte da França, uma comunidade muito afetada pela pandemia de Covid-19 nos meses de fevereiro e março. Para a pesquisa, um total de 1.340 foram submetidas a testes de detecção de anticorpos. Desse total, 510 eram crianças, enquanto o restante era composto por adultos (professores e familiares dos alunos).

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Estudo foi conduzido na França, que gradativamente retoma suas atividades. Imagem: Reprodução

Três crianças foram identificadas pelos pesquisadores como infectadas pelo novo coronavírus antes de o fechamento de suas escolas passar a ser obrigatório para conter a disseminação da doença. Nenhuma delas infectou qualquer pessoa no colégio durante três semanas de exposição. Embora seja um período muito curto para tirar conclusões definitivas, os dados coletados contribuem para outros estudos semelhantes ao redor do mundo, segundo Fontanet.

Num primeiro momento, a Covid-19 foi considerada altamente contagiosa em crianças, assim como o vírus da gripe. Outras pesquisas iniciais mostraram que crianças carregam uma carga viral tão alta quanto os adultos, sugerindo que se infectavam na mesma proporção.

“Que eu saiba, nunca houve um surto [de Covid-19] iniciado em uma escola”, conta Fontanet, membro do conselho científico que aconselha o governo francês acerca do novo coronavírus.

A reabertura de escolas já é uma realidade em alguns países da Europa após a desaceleração da pandemia no continente. Na França, por exemplo, todas as crianças receberam autorização para retornar às aulas a partir de segunda-feira, após um período de transição no qual apenas uma pequena parcela de alunos pôde retornar.

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Criança de máscara usando álcool em gel. Imagem: Reprodução

“O risco de que a epidemia reapareça a partir de uma escola ou que um professor seja infectado por estudantes com menos de dez anos de idade parece muito pequeno para mim”, declarou Fontanet. O médico, entretanto, diz ter ressalvas quanto aos alunos do ensino médio, com idades entre 16 e 18 anos. Em um estudo anterior, o próprio Fontanet mostrou como a epidemia explodiu em um instituto também em Crépy-en-Valois.

Entre as 1.340 pessoas analisadas nas escolas de ensino básico, 139 foram infectadas em algum momento pelo coronavírus – 81 adultos e 58 crianças. Isso representa apenas 8,8% das crianças analisadas. Um total de 61% dos pais de crianças infectadas também contraíram o vírus, em comparação com 6,9% dos pais dos pequenos não contaminados.

Os professores saíram quase intocados do estudo: apenas 3 em 42 (7% do total) foram infectados. Com esses dados, os pesquisadores concluíram que eram os pais quem geralmente infectavam os filhos, e não o contrário.

Por fim, 24 das 58 crianças contaminadas (mais de 41%) não apresentaram sintomas. Entre os adultos, esse número foi de 9,9%. “Isso confirma o que já sabemos: as crianças desenvolvem formas leves da doença”, conclui Fontanet.

Via: UOL