Cientistas descobrem possível capacidade humana de regenerar a retina

Pesquisa comparou genes de peixes e outras espécies de animais com genes humanos; padrão de crescimento no tecido cerebral pode apenas ter sido perdido durante evolução
Leticia Riente 08/10/2020 12:55, atualizada em 08/10/2020 14:04
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Um artigo publicado na revista Sciencie sugere ser possível que humanos regenerem sua retina, assim como fazem algumas espécies de animais. Isto porque o homem possui pelo menos 70% dos mesmos genes que peixes-zebra, por exemplo, justamente o que se é necessário para regenerar a membrana. Vale destacar que o dano à retina é a principal causa de cegueira no mundo e afeta milhões de pessoas todos os anos.

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Ao contrário dos peixes, os seres humanos são incapazes de regenerar ou até mesmo reparar lesões na retina. “A regeneração parece ser o status padrão, e a perda dessa capacidade aconteceu em vários pontos da árvore evolucionária”, explica o neurocientista, Seth Blackshaw, da Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos.

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Cientistas acreditam que humanos tenham perdido a capacidade de regenerar a retina durante a evolução. Créditos: Irina Bg/Shutterstock

Funcionamento da retina

Para entender como seria este processo de reparação da camada fina de tecido cerebral, é preciso compreender o que é a retina e qual seu papel na nossa visão e corpo. Trata-se de uma parte dos nossos olhos que reage à luz. Possui bastonetes detectores de claridade, células cônicas, neurônios e sinapses que transmitem informações ao nosso cérebro. Resumidamente, a retina é um tecido cerebral que acaba na parte de trás dos nossos olhos, resultando em uma região importante do nosso sistema neural central.

É também na retina que podemos encontrar as células de glia de Müller, que tem como função suportar os neurônios da membrana e realizar sua manutenção. Mas o fato é que em alguns peixes e répteis, estas células também regeneram neurônios. Mas isso ainda não ocorre em mamíferos.

Com o objetivo de reverter este quadro e dar mais uma oportunidade para quem perdeu a visão, o neurocientista Thanh Hoang, também da Johns Hopkins, observou como as células de glia de Müller se comportam em algumas espécies de animais, como peixes-zebra e camundongos, diante de lesões.

Descobertas

Durante o estudo, o cientista descobriu que os genes ativados estavam envolvidos na contenção da lesão, atraindo células do sistema imunológico para limpar o tecido prejudicado e combater possíveis invasores. Mas o processo ficou ainda mais interessante quando foi possível perceber uma rede que suprime esses genes entrando em ação, mas apenas em camundongos, o que impediu-os de transformar em células e fazer crescer novamente a retina.

Os estudiosos também notaram que, após uma lesão na membrana, as células de glia nas espécies observadas pararam de produzir o fator nuclear I (NFI). Trata-se de uma proteína que impede que a célula acesse pedaços de DNA, essencialmente desligando genes.

Mas em ratos, por exemplo, essa molécula começou a aparecer novamente. Ao identificar o fenômeno, os cientistas pararam as células de glia de Müller produzindo NFI e as células iniciaram um processo de produção de neurônios de retina.

Reprodução

Pequisa visualizou como ocorre a produção de neurônios de retina em ratos. Crédito: Kate Studio/Shutterstock

“Nossa pesquisa indica que o potencial de regeneração existe em mamíferos, incluindo humanos, mas alguma pressão evolutiva o desligou”, destacou Seth Blackshaw.

Com os resultados obtidos na pesquisa, a equipe de cientistas acredita que a perda da capacidade de regenerar a retina pode estar ligada a uma compensação entre a regeneração das células do sistema nervoso central e a resistência do parasita.

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Cabe destacar ainda que um estudo anterior mostrou que sinais que causam inflamação para evitar infecções também impedem as células de glia de se transformarem em produtoras de neurônicos.

O cientista finaliza afirmando que o ser humano ainda está muito longe de ter plena capacidade para desenvolver uma retina substituta e que a equipe ainda precisa estender as pesquisas. Mas, de qualquer forma, a compreensão desta regeneração da retina pode permitir o desenvolvimento de terapias mais assertivas para restaurar neurônios da membrana em casos de doenças degenerativas.

Via: Science Alert

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Leticia Riente

Leticia Riente é redator(a) no Olhar Digital

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