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A Adobe lança nesta terça-feira (20) a atualização para o Photoshop versão 22.0 para desktop e iPad. Entre as novidades baseadas em inteligência artificial, está a ferramenta para substituição de céu e a seleção aprimorada de bordas. Mas o recurso que mais se destaca no upgrade é o conjunto de funções de edição de imagem denominado “filtros neurais”, onde será possível “ajustar a idade” da pessoa em um retrato.

A nova estrela da aplicação conta com filtros que permitem realizar diversas sobreposições com efeitos simples, mas também oferece funcionalidades que permitem edições mais profundas. Os “filtros neurais” ajudam o usuário a ajustar a idade e a expressão facial em uma foto, aumentando ou reduzindo sentimentos como alegria, surpresa ou raiva. Esta função é realizada por meio de controles deslizantes simples.

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Outras ações, como tirar os óculos de alguém ou suavizar manchas na pele, também podem ser feitas na nova atualização do software. O melhor é que a Adobe fez com que todos estes processos fossem realizados com poucos cliques, objetivando uma ferramenta simples com saída facilmente ajustada ou totalmente revertida.

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“É aqui que sinto que agora podemos dizer que o Photoshop é o aplicativo de IA mais avançado do mundo”, disse Maria Yap, vice-presidente de imagem digital da Adobe. “Estamos criando coisas em imagens que não existiam antes”, acrescentou.

Por enquanto, a funcionalidade apresenta dois filtros como concluídos, seis como status beta (retrato inteligente, transferência de maquiagem, névoa sensível à profundidade, colorir, super zoom, e remoção de artefatos Jpeg), além de outros oito filtros listados como futuros (restauração de fotos, poeira e arranhões, redução de ruído, limpeza de rosto, foto para esboçar, esboçar para retrato, arte a lápis e rosto para caricatura).

Aprendizado de máquina

Para que a nova atualização do Photoshop fosse possível, a Adobe utilizou o poder das redes adversárias geradores (GANs, na sigla em inglês). Trata-se de uma técnica de aprendizado de máquina que se provou adepta da geração de imagens visuais, diferente de outras técnicas do ramo.

Inicialmente, parte do processamento é feito de forma local, sendo que outra parte é realizada na nuvem, tudo a depender das demandas computacionais de cada ferramenta individual. De qualquer forma, cada filtro leva apenas alguns segundos para ser aplicado na foto.

Reprodução

Aprendizado de máquina, por meio de inteligência artificial, é a grande novidade no método de criação da nova atualização do Photoshop. Créditos: Andrey Suslov/Shutterstock

Também para que a ferramenta “filtros neurais”, por exemplo, estivesse completa, a Adobe coletou milhares de fotos de antes e depois de edições realizadas por fotógrafos profissionais, inserindo esses dados em seus algoritmos. Neste momento, os GANs agem como aluno e professor ao mesmo tempo, sendo que quando o sistema não consegue mais diferenciar entre os dois, o processo de treinamento está completo.

“Basicamente, estamos treinando o GAN para fazer as mesmas correções que um retocador profissional faria”, explicou Alexandru Costin, vice-presidente de engenharia da Adobe para a Creative Cloud.

Dados tendenciosos e viés de IA

A IA está presente não só em softwares de imagens, mas em muitos outros sistemas pelo mundo, facilitando, diversas vezes, o cotidiano dos humanos. Mas muitos problemas também norteiam esta tecnologia, partindo do pressuposto de que os algoritmos só sabem sobre o que é mostrado para eles, podendo o homem inserir dados tendenciosos, mesmo sem perceber, neste processo.

Para exemplificar a situação, se apenas dados sobre pessoas brancas forem inseridos nos algoritmos do Photoshop, este não reconhecerá retratos de pessoas negras, impossibilitando a edição destas fotos.

Mas sobre isso, Costin destacou que a Adobe tem pleno conhecimento e que está trabalhando para não deixar o Photoshop a desejar neste sentido. “Um dos maiores desafios que temos é preservar o tom da pele. Esta é uma área muito sensível”, ressaltou. Ainda nesta linha, visando a erradicação do preconceito, a Adobe formou uma equipe de revisão e um comitê de ética de IA para testar os algoritmos sempre que uma grande atualização de sistema for feita.

Reprodução

Adobe afirma ter grande preocupação para que a edição no Photoshop não faça má distinção entre pessoas brancas e negras. Créditos: Gorodenkoff/Shutterstock

Mas, vale destacar que a Adobe tem uma grande vantagem se comparada com outras equipes que lutam contra o viés de IA. Isto porque a empresa possui uma enorme gama de fotografias que abrange diferentes idades, raças e sexos. Costin diz que justamente este aspecto fez com que fosse mais fácil lidar com a situação.

No entanto, é claro que ainda é possível, mesmo com todas estas ações, que o sistema seja tendencioso em certas ocasiões. Por isso, a nova atualização mostra uma mensagem de avaliação ao final de cada aplicação de filtro. O usuário também pode deixar uma mensagem anônima a Adobe no sentido de denunciar conteúdo “impróprio”.

Fonte: The Verge