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Desde o início da pandemia de Covid-19, quando ficou ainda mais evidente a importância dos entregadores de aplicativos, cresceram as críticas sobre relações de trabalho abusivas mantidas com os apps. Agora, uma denúncia publicada pela agência Reuters mostra que várias crianças e adolescentes estão fazendo entregas se valendo dessas plataformas.

A publicação cita uma série de vídeos e publicações em redes sociais que mostram que todos os principais aplicativos de entrega, incluindo iFood, Uber Eats, Rappi e 99Food se mostraram incapazes de frear a utilização de sua plataforma por menores de idade.

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Os jovens se inscrevem no aplicativo utilizando as informações de seus parentes mais velhos, que têm a idade mínima para participar dessas plataformas. Como só o que é necessário para começar a fazer entregas é um celular e uma bicicleta, não é difícil conseguir entregas no aplicativo.

Segundo a agência, um dos motivos que levaram ao aumento da entrada irregular de menores nestes aplicativos foi a Covid-19. Com as dificuldades econômicas causadas pela pandemia e a paralisação das aulas, muitos jovens foram empurrados para o trabalho, e os apps se mostraram uma porta fácil para a prática.

Ana Maria Villa Real, procuradora dedicada a combater o trabalho infantil, entendeu que a situação é “muito séria” quando questionada, e afirma que as autoridades devem abrir uma investigação contra a prática de uso de força de trabalho de crianças e adolescentes em aplicativos de entrega.

Quando questionados, os aplicativos informaram à publicação uma série de ações que seriam tomadas. O Uber Eats disse ter removido várias contas e as denunciado para autoridades; a 99 afirma que analisaria a documentação de seus entregadores; o iFood afirmou que todas as denúncias de menores entregadores são investigadas internamente, enquanto a Rappi não se responsabilizou por detalhes ou documentos falsos apresentados no registro.

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Uber, Rappi e iFood afirmam que têm sistemas de verificação de identidade por selfie, e a 99 disse que implementará essa ferramenta ainda neste ano. O problema, no entanto, é que não é difícil driblar essas restrições quando a pessoa cujas informações originais serão usadas é um pai, um irmão ou um amigo mais velho da criança. Basta que alguém um pouco mais velho dê o aval para o uso de sua foto. E quando uma conta é banida, basta pedir para outra pessoa.