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As administradoras de cartões de crédito Visa e Mastercard anunciaram a abertura de investigações independentes contra o Pornhub e sua proprietária, a empresa Mindgeek, após a divulgação de um relatório, acusando o maior portal de pornografia do mundo de lucrar com a exploração e veiculação de conteúdos de estupro e pedofilia.

“Nós já estamos a par das acusações, e estamos ativamente conversando com as instituições financeiras relevantes para investigá-las, além de também estarmos falando diretamente com a empresa proprietária do site, a Mindgeek”, disse um porta-voz da Visa à agência de notícias Associated Press.

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Pornhub novamente se vê acusado de lucrar com exploração sexual e pedofilia, fazendo com que empresas financeiras lancem investigações contra a plataforma. Imagem: sestovic/iStock

Similarmente, a Mastercard também afirmou que estaria investigando as informações divulgadas, confirmando que estava “trabalhando junto ao banco da Mindgeek para entender esta situação, além de outros passos já tomados”. A empresa afirmou ao Ars Technica que “tem tolerância zero por atividades ilegais conduzidas em nossa rede”, ameaçando tomar ação imediata caso as afirmações contra o Pornhub tenham consistência.

Nem Visa, nem Mastercard são as primeiras a atacarem a indústria pornô e, em especial, o Pornhub: desde novembro de 2019, a processadora de pagamentos digitais PayPal deixou de aceitar pagamentos veiculados pelo Pornhub a profissionais do sexo, forçando as pessoas que vivem do meio a encontrarem outras formas de receber seus valores por conteúdos digitais adultos. Mais além, a American Express efetivamente proíbe que seus cartões sejam usados para transacionar valores relacionados a “sites de conteúdo adulto digital”.

Fora isso, alguns países baniram o Pornhub de qualquer atuação em seus territórios, como é o caso da Tailândia.

Pornhub = pedofilia e estupro?

A Visa e a Mastercard estão baseando suas ações em uma coluna veiculada pelo jornal americano New York Times. Ao texto, fontes afirmaram que “o Pornhub monetiza o estupro infantil, pornografia de vingança, vídeos de câmeras secretas que filmam mulheres tomando banho, conteúdos racistas e misoginistas, bem como vídeos de mulheres sendo asfixiadas com sacos plásticos”.

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Complica a situação do Pornhub o fato de que a plataforma aceita conteúdos enviados por qualquer usuário. Embora seja seguro presumir que a maior parte do conteúdo veiculado no site tenha o consentimento dos adultos envolvidos no material, são vários os relatos de materiais que retratam exploração sexual, estupro e outras formas de abuso – incluindo com menores de idade. A reportagem do jornal entrevistou vítimas que afirmaram que conteúdos sexuais lhes envolvendo foram publicados no Pornhub sem conhecimento ou consentimento.

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Visa e Mastercard confirmaram investigações independentes contra o Pornhub, mediante matéria veiculada sobre o site no New York Times. Imagem: wk1003mike/Shutterstock

Mais além, é possível baixar os vídeos do Pornhub gratuitamente, com a criação de uma simples conta. Desta forma, ainda que um vídeo seja retirado do ar na plataforma, outros sites do tipo poderão recebê-lo, tornando essa uma “briga de gato e rato”.

Finalmente, existe o entendimento que a Mindgeek é “dona do pornô online”: a empresa canadense é dona de várias marcas conhecidas do universo adulto – além do Pornhub, lhe pertencem os sites RedTube e YouPorn; e produtoras renomadas, como Reality Kings, Brazzers, Digital Playground e Mofos, para citar algumas.

O Pornhub negou todas as acusações veiculadas na coluna, chamando-as de “irresponsáveis e flagrantemente inverídicas”, adicionando que a plataforma conduz verificações corriqueiras nos vídeos compartilhados dentro dela, removendo qualquer material ilegal.

Vale citar: a Mindgeek é membro da Associação de Sites que Advogam pela Proteção da Criança (da sigla em inglês “ASACP”), uma ONG que conta com várias empresas e personalidades de combate à pedofilia.

Fonte: Associated Press, Ars Technica, New York Times