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A sonda InSight, da Nasa, segue revelando detalhes sobre a geologia de Marte. Explorando o “Planeta Vermelho” desde 2018, a missão coletou informações que apontam para a existência de uma crosta formada por duas ou três camadas, como um bolo, segundo a Nature.

Agora, Marte passa a ser o primeiro planeta a ter seu interior medido, à exceção da Terra. “Até agora, esta informação estava faltando”, disse Brigitte Knapmeyer-Endrun, sismologista da Universidade de Colônia, na Alemanha, durante um encontro virtual da União de Geofísica Americana.

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Graças a um sismômetro extremamente sensível, cientistas estão ouvindo a energia geológica que corre pelo astro. Foi assim que eles conseguiram captar o primeiro “martemoto”, um tremor similar a um terremoto, ocorrido em abril de 2019. Até o momento, o equipamento registrou quase 500 deles, de acordo com o investigador principal da missão, Bruce Banerdt.

‘Selfie’ tirada pela sonda InSight, durante sua primeira semana em Marte. Crédito: Nasa/JPL-Caltech

Por meio dos dados obtidos com os tremores, sismologistas estão mapeando a estrutura interna do planeta. Os especialistas explicam que como a energia sísmica percorre o solo em dois tipos de ondas distintas, a diferença entre o movimento delas permite aos pesquisadores calcularem onde começam e terminam o núcleo, o manto e a crosta de Marte, além de dar uma ideia da composição de cada camada.

O que se sabe sobre as camadas

A cientista planetária Julia Semprich, da Open University, na Inglaterra, afirma que modelos e estudos geoquímicos de meteoritos marcianos indicam a existência de três camadas na crosta de Marte, mas essa informação ainda não está confirmada.

Caso sejam duas camadas, explica Knapmeyer-Endrun, a crosta pode ter 20 km de espessura. Se forem três, 37 km. Independente disso, é provável que essa espessura varie em diferentes regiões do planeta, sem passar de 70 km em seu ponto mais largo, diz a sismologista.

Para efeito de comparação, a crosta da Terra varia entre 5 e 10 km abaixo dos oceanos e entre 40 e 50 km nos continentes.

Fonte: Nature