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Como já diz o ditado: “a mentira tem pernas curtas”, e quando você tem que sustentar uma enganação, ou se sente “culpado”, o tempo passa mais lentamente e cada momento parece uma eternidade. E agora isso foi provado cientificamente.

Um estudo publicado na revista Biological Psychology defende que a percepção do tempo para pessoas que estão escondendo alguma informação é diferente, e que “o esforço para ocultar algo leva a uma superestimação temporal”. Todo procedimento foi baseado em uma técnica de polígrafo conhecida como “teste de informação oculta”, projetada para detectar o conhecimento de uma pessoa sobre um crime.

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“Pesquisas anteriores mostraram que o tempo voa quando as pessoas se divertem. Até onde sabemos, entretanto, nenhuma pesquisa examinou como o tempo é percebido durante a mentira. É por isso que estudamos este tópico”, disseram os autores do estudo Izumi Matsuda e Hiroshi Nittono, das universidades de Aoyama Gakuin e Osaka, respectivamente.

Os pesquisadores reuniram 36 alunos de graduação e pós-graduação e os orientaram a roubar um item do laboratório e escondê-lo até o final do experimento. Se os participantes tivessem sucesso em ocultar o objeto, levariam um prêmio de 500 ienes.

No estudo, os pesquisadores utilizaram uma técnica de polígrafo conhecida como “teste de informação oculta”. Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock

Cada um deles foi então colocado à frente de um monitor, com imagens de vários itens apareceram repetidamente na tela por dois segundos, junto com a pergunta: “Você roubou isso?”. Após cada foto, os participantes estimaram por quanto tempo a imagem havia aparecido na tela. Os estudantes foram divididos em dois grupos: os “culpados” viam o item que eles roubaram entre as fotos, e os “inocentes” não.

Durante a tarefa, sinais fisiológicos dos participantes foram coletados por meio de sensores na pele. Quando o item escondido surgia na tela, os “culpados” demonstravam uma maior excitação. Além disso, todos eles ainda relataram que a percepção de quanto tempo cada foto permanecia na tela era maior do que quando comparada com os “inocentes” – mesmo com todas as imagens alternando a cada dois segundos, sem qualquer variação.

“Quando você está escondendo algo, você sente que o tempo passa mais devagar do que o normal, porque você está em um estado de excitação e muito vigilante. Não apenas a própria coisa a ser escondida, mas também outros itens são percebidos como durando mais do que o normal durante este estado ”, disseram Matsuda e Nittono ao PsyPost.

Os pesquisadores alertam, porém, que o método não pode ser usado para decidir se uma pessoa está mentindo ou não. “O problema é que, nesse caso, não só os mentirosos, mas também os inocentes podem ficar excitados por causa do estresse de serem examinados, e ambos sentem que o tempo passa devagar”, explicam os cientistas.

Via: PsyPost