A vacinação contra a Covid-19 já começou em diversos países, inclusive na América Latina. O Brasil, entretanto, não é um deles. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a minimizar a demora do governo para adquirir e liberar os imunizantes no país. Além disso, Bolsonaro ainda transferiu a responsabilidade para as fabricantes.

De acordo com o presidente, o mercado consumidor do Brasil é “enorme”. Por isso, os laboratórios que produzem as vacinas é que deveriam se interessar pelos pedidos de autorização junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela venda de vacinas ao Brasil.

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Na manhã desta segunda-feira (28), em Brasília, Jair Bolsonaro questionou um grupo de apoiadores no Palácio da Alvorada. “O Brasil tem 210 milhões de habitantes, um mercado consumidor de qualquer coisa enorme. Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para a gente? Por que eles não apresentam documentação na Anvisa?”, questionou o presidente.

O presidente Jair Bolsonaro durante o lançamento do programa Voo Simples, no Palácio do Planalto. Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mais uma vez, Bolsonaro afirmou que não tomará a vacina, porque já contraiu Covid-19, e voltou a dizer que as bulas dos imunizantes apontam que a responsabilidade sobre o uso e possíveis efeitos colaterais do medicamento são do consumidor.

Segundo Bolsonaro, o “cheque de R$ 20 bilhões” já está assinado, referindo-se à Medida Provisória (MP) que autoriza a liberação do dinheiro para a compra das vacinas e outros itens necessários na campanha de imunização, como seringas.

“Tem muita gente de olho nesse dinheiro”, afirmou Jair Bolsonaro, sem citar nomes. “Impressionante como uma ou outra pessoa que a gente conhece, não vou dizer o nome aqui, jamais se preocuparia com a vida do próximo. A preocupação é outra. Não vou falar qual é”.

Sem previsão

Bolsonaro repetiu que não está preocupado com o início da campanha de vacinação, porque o processo depende da Anvisa. “Se eu vou na Anvisa e digo ‘corre aí’, vão falar que estou interferindo”, completou.

BioNTech afirma que consegue entregar em até seis semanas uma vacina adaptada para a mutação do coronavírus
Brasil ainda não tem acordo de compra de vacinas. Foto: Numstocker/Shutterstock

O governo federal tem acordos de intenção de compra de três vacinas diferentes: AstraZeneca/Oxford, Sinovac/Instituto Butantan e Pfizer/BioNTech. No entanto, é apenas a intenção. Ou seja, até agora, nenhum negócio foi fechado. Devido a isso, não há uma data prevista para o início da campanha nacional de imunização.

De acordo com o levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa, neste domingo (27), o Brasil superou a marca de 191 mil mortos pela Covid-19.

Via: Uol