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O “verme Bobbit” (Eunice aphroditois) é uma criatura que parece ter saído de um filme de terror: um verme com até três metros de comprimento, duas mandíbulas afiadas e cinco antenas. Enterrado no fundo do mar, ele aguarda pacientemente com a boca aberta até que um peixe desavisado nade sobre ela, momento em que fecha suas mandíbulas com velocidade tão grande que pode cortar uma presa ao meio, antes de arrastá-la para sua toca no fundo do mar.

E além de aterrorizante, o verme também parece ser muito antigo. Um artigo publicado recentemente na revista Scientific Reports sugere que centenas de tocas fossilizadas de vermes similares, encontradas no que hoje é o litoral de Taiwan, mostram sinais de “luta”.

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Não há fósseis dos vermes em si, já que criaturas invertebradas raramente são fossilizadas. Mas segundo os pesquisadores o arenito, que já foi o fundo do mar, mostra sinais do comportamento dos animais. Segundo Ludvig Löwemark, sedimentologista-chefe da Universidade Nacional de Taiwan e co-autor do estudo, “Acreditamos que esta é a primeira vez que encontramos um ‘traço fóssil’ que mostra como invertebrados, como estes vermes, se alimentavam de vertebrados”.

A pista está na forma das tocas, que lembra uma pena. Isso é causado pela forma como os sedimentos são depositados e compactados ao longo dos anos: o verme captura uma presa e a arrasta para dentro da toca. Ao se debater, ela provoca a queda de sedimento das bordas para dentro do buraco, formando um “funil” à medida que é arrastada. Após digerir a presa, o verme atravessa o sedimento e reemerge, restabelecendo a entrada da toca e reiniciando o ciclo.

Baiacu sendo arrastado para a toca de um verme Bobbit. Imagem: zaferkizilkaya / Shutterstock

“Este registro mostra um comportamento muito mais ativo”, diz Löwemark. “Os vermes estavam se escondendo no sedimento, ‘pulando’ para capturar suas presas e arrastando-as para dentro de suas tocas”.

As tocas, datadas em 20 milhões de anos, são circulares. Isso diz aos cientistas que seus habitantes também tinham um corpo cilíndrico, como os vermes Bobbit modernos. Também sabemos que elas não tinham paredes reforçadas, o que sugere que o que quer que tenha vivido dentro delas usava seu corpo para impedir o colapso da estrutura. Dado que algumas tocas têm mais de 2 metros de comprimento, isso significa que os vermes eram imensos.

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A descoberta é um exemplo de como um ‘traço fóssil’ pode ser mais útil que um animal fossilizado em si. Mesmo que tivesse sido perfeitamente preservado, um esqueleto apenas nos diria o formato do animal, mas nada sobre seu comportamento.

“Compreendendo como a interação entre presa e predadores ocorria no passado, podemos ter uma melhor compreensão deste paleoecossistema”, diz Löwemark.

Fonte: Wired

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