Não é só a vacina de Oxford que está sendo desperdiçada no Rio de Janeiro. Nesta quinta-feira (28), o diretor do Hospital Federal de Bonsucesso foi exonerado do cargo após um problema com falta de energia colocou em risco 720 doses da CoronaVac, que ficaram temporariamente armazenadas em uma temperatura acima do recomendado.

Ainda não se sabe o destino dessas doses. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio de Janeiro informou que as doses foram recolhidas e agora estão armazenadas em câmara fria, mas ainda não um parecer sobre se elas poderão ou não ser aproveitadas.

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Segundo a SMS um relatório técnico já foi enviado para a secretaria estadual, que deverá receber as orientações do Plano Nacional de Imunizações. Por enquanto, não se sabe se elas mantêm suas propriedades ou se foram inutilizadas com a falta de energia.

Segundo a jornalista Flavia Oliveira, comentarista da rádio CBN¸ o laboratório em que as vacinas estavam armazenadas não tem gerador, fazendo que não houvesse redundância em caso de queda de energia. A Light, empresa responsável pelo fornecimento de energia elétrica no estado, nega, no entanto, que tenha ocorrido uma interrupção de serviço ao hospital.

A CoronaVac não precisa de temperaturas muito frias para armazenamento, mas ainda precisa ser armazenada em temperatura controlada. O Butantan diz que os frascos devem ser mantidos numa faixa entre 2° e 8°, o que proporciona sua estocagem em uma geladeira comum. É uma de suas grandes vantagens em comparação com outras vacinas que ainda não têm acordo de distribuição no Brasil, já que permite o aproveitamento de toda a infraestrutura de vacinação que o país construiu ao longo de várias décadas.

Para efeito de comparação, a vacina da Pfizer, que utiliza uma tecnologia diferente, de RNA mensageiro, tem uma recomendação de armazenamento a -80° Celsius, o que criaria desafios logísticos graves para distribuição a todo o Brasil.