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Os últimos dois dias foram repletos de novas informações importantes sobre vacinas contra Covid-19. A Novavax anunciou resultados de sua vacina de subunidade proteica com alta eficácia e a Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson, também anunciou sucesso em sua pesquisa com uma plataforma de vetor viral, com um diferencial de que o regime de aplicação prevê apenas uma dose, enquanto todas as outras em fases avançadas utilizam duas. No entanto, quando testadas contra a preocupante variante sul-africana do coronavírus o resultado não foi tão bom.

Em ambos os casos, a eficácia das vacinas foi reduzida em comparação com os experimentos realizados em outras regiões onde a variante sul-africana ainda não é prevalente.

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No caso da Novavax, os experimentos realizados na África do Sul não tiveram a grande escala esperada de uma fase 3, para averiguar eficácia, com apenas 4.400 participantes. O resultado, porém, foi preocupante. O experimento no Reino Unido aferiu uma eficácia muito alta, superior a 89%, e os resultados foram bons até mesmo contra a variante britânica do vírus, que tem preocupado o mundo com a suspeita de ser mais transmissível. No país africano essa marca foi consideravelmente mais baixa, de apenas 60% entre os participantes no estudo que são soronegativos para HIV.

No caso da Johnson & Johnson, a situação é similar. A empresa anunciou uma eficácia global de 66%, mas esse número foi puxado para baixo graças a um resultado frágil com os ensaios realizados na África do Sul.

Os testes conduzidos pela empresa aferiram uma eficácia de 72% quando analisados apenas os casos registrados nos Estados Unidos. Já na América Latina, o estudo percebeu 66% de eficácia; a queda é mais brusca no ensaio sul-africano com apenas 57% de eficácia. Todos esses números são referentes à proteção conferida contra casos moderados e graves da doença.

Ambas as empresas atribuem os resultados inferiores nos ensaios africanos justamente à variante sul-africana e que se tornou predominante no território. No caso da Janssen, 95% dos participantes contaminados foram diagnosticados com a linhagem B.1.351, que é a variante preocupante dominante do país. Na Novavax, a proporção foi similar. Dos 27 casos acumulados entre os voluntários sul-africanos cujas amostras passaram por sequenciamento genético, 25 (ou 92,6%) foram causados pela linhagem B.1.351.

No caso da Novavax, a empresa já está se planejando sobre como lidar com a variante sul-africana. A empresa diz que pretende começar a testar uma vacina bivalente ou uma nova dose booster, que sejam capazes de imunizar não apenas contra o coronavírus original detectado em Wuhan no fim de 2019, mas também especificamente contra as novas mutações. A Johnson & Johnson, por sua vez, não apresentou uma iniciativa para produzir imunidade específica contra o a linhagem do vírus descoberta na África do Sul.

Até o momento, os ensaios da Novavax e da Janssen são os únicos com dados anunciados já realizados sob a ameaça das novas variantes, então são as duas únicas vacinas com informações concretas sobre a eficácia contra a variante sul-africana. Outras empresas, no entanto, já estão realizando testes com o sangue de pessoas vacinadas para saber se as defesas criadas pela imunização ainda são válidas contra a variante descoberta na África do Sul.

A Pfizer, por exemplo, demonstrou em estudo ainda não publicado que sua vacina ainda produz resposta contra o vírus, mesmo com a variante sul-africana, embora não haja uma medida exata da eficácia. A empresa já anunciou que, caso detecte uma variante do coronavírus que não é reconhecida pela vacina, conseguirá atualizar seu imunizante em questão de seis semanas.