O YouTube encerrou, na noite desta quarta-feira (3), dois canais pertencentes ao portal Terça Livre, do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos. A plataforma online de vídeos declarou, em nota, que os dois perfis violaram os termos de uso do site.

O Terça Livre Tv, conta principal, e o Terça Livre Live, conta reserva, estão fora do ar. A página principal de Allan dos Santos já havia sofrido uma advertência quando o blogueiro criou a conta reserva para driblar possíveis punições da plataforma. A criação do perfil alternativo para fugir de sanções é uma das violações que motivaram o encerramento.

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O canal também burlou uma das regras relativas a “política de integridade da eleição”, quando publicou vídeo que procurava apontar supostas fraudes na eleição dos EUA. O YouTube adverte contas que propaguem notícia falsas, como alegações a votação feita por pessoas mortas, falhas nas máquinas de votos e contagem de cédulas falsas.

Em comunicado no site oficial do Terça Livre, o grupo alega que sofreu censura por parte do YouTube após campanha orquestrada pelo grupo ativista Sleeping Giants Brasil — conhecido por combater a desinformação e expor anunciantes de plataformas de fake news.

Allan dos Santos
O blogueiro bolsonarista Allan dos Santos. Foto: Terça Livre

Em nota enviada à Folha de São Paulo, o YouTube afirma que “se reserva o direito de restringir a criação de conteúdo de acordo com os próprios critérios.” Quando o YouTube adverte uma conta pela segunda vez, o canal fica impossibilitado de subir vídeo ou fazer lives durante uma semana.

Inquérito das fake news

Allan dos Santos é alvo do inquérito das fake news, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e investiga a organização de atos antidemocráticos. Ele é suspeito de ter defendido intervenção militar em conversas com o tenente-coronel Mauro César Barbosa Cid, assessor do presidente Jair Bolsonaro. Em diálogos com o militar, Allan teria falado que “as Forças Armadas precisam entrar urgentemente.”

O blogueiro já teve sua conta suspensa pelo Facebook em agosto de 2020, como consequência do inquérito das fake news.

Leia nota do YouTube sobre restrição de conteúdo:

“Todos os conteúdos no YouTube precisam seguir nossas diretrizes de comunidade. Contamos com uma combinação de sistemas inteligentes, revisores humanos e denúncias de usuários para identificar conteúdo suspeito e agimos rapidamente sobre aqueles que estão em desacordo com nossas políticas. O YouTube também se reserva o direito de restringir a criação de conteúdo de acordo com os próprios critérios. Caso uma conta tenha sido restringida na plataforma ou impossibilitada de usar algum dos nossos recursos, o criador não poderá usar outro canal para contornar essas penalidades. Essa regra se aplicará a todo o período em que a restrição estiver ativa. Consideramos a violação dela um descumprimento dos nossos Termos de Serviço, o que pode levar ao encerramento da conta.”

Via: Folha e Estadão