Na última quarta-feira (3), comissários de privacidade do Canadá acusaram o sistema de reconhecimento facial da Clearview AI de promover vigilância em massa. Além disso, foi solicitado que a empresa exclua os rostos de todos os canadenses de seu banco de dados.  

Segundo o comissário Daniel Therrien, o sistema “tira fotos de mídias sociais e outros sites públicos para uso por policiais”. Ele afirma que isso é “ilegal” e cria um sistema que “inflige danos generalizados a todos os membros da sociedade, que se encontram continuamente”, em vigilância.

publicidade

As constatações foram feitas após um ano de investigação feita por várias agências de privacidade canadenses. O resultado aponta que a empresa coletou informações biométricas sem o consentimento das pessoas e que “usou e divulgou informações pessoais dos canadenses para fins inadequados”.  

De acordo com os investigadores, a empresa afirma que as leis de privacidade do Canadá não se aplicam à Clearview, uma vez que não tem nenhuma “conexão real e substancial” com o país, e que o consentimento dos indivíduos não foi necessário porque as informações coletadas estavam disponíveis publicamente.  

Essa não é a primeira vez que a empresa é intimada a remover imagens de seu banco de dados. Em maio do ano passado, por exemplo, a companhia rompeu todos os contratos no estado de Illinois após ser acusada de violar a Lei de Privacidade de Informações Biométricas do estado.  

Agora, a Clearview AI disse que pretende contestar a decisão de exclusão das imagens no tribunal. Em um comunicado, enviado ao site The Verge, o advogado da empresa a comparou com o Google.  

“Clearview AI é um mecanismo de busca que coleta dados públicos da mesma maneira que empresas maiores fazem, incluindo o Google, que tem permissão para operar no Canadá”, disse ele. 

O uso do sistema de reconhecimento facial da Clearvew AI ganhou força em janeiro, quando o ataque ao Capitólio dos Estados Unidos ocorreu. Na ocasião, vários departamentos de polícia usaram a plataforma para identificar os manifestantes. 

Via: The Verge