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Condições de trabalho desgastantes – em especial as vividas por muitos profissionais durante a pandemia de Covid-19 – podem levar a um distúrbio psíquico conhecido como “síndrome de burnout”. O esgotamento físico e emocional são os principais sintomas, um novo dispositivo vestível pode detectar altos níveis de estresse pela análise do suor.

Desenvolvido por engenheiros da Escola Politécnica Federal de Lausana (EPSL), na Suíça, em parceria com a startup Xsensio, o dispositivo pode ser aplicado diretamente na pele do paciente para medir continuamente a concentração de cortisol, o principal biomarcador de estresse. O aparelho, descrito em um estudo publicado na Nature, pode ajudar médicos a compreender e tratar melhor as condições como o burnout e a obesidade.

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Geralmente, exames de sangue são usados ​​para fazer medições instantâneas dos níveis de cortisol dos pacientes. Porém, quantidades detectáveis ​​do hormônio podem ser encontradas na saliva, na urina e no suor.

O cortisol é produzido pelas  glândulas suprarrenais a partir do colesterol. Sua secreção é controlada pelo hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), que é produzido pela glândula pituitária. Ele desempenha funções essenciais em nosso corpo, como regular o metabolismo, os níveis de açúcar no sangue e a pressão arterial; também afeta o sistema imunológico e as funções cardiovasculares.

Dispositivo criado na EPFL é capaz de medir a concentração de cortisol no suor do usuário. Imagem: CGN089/Shtterstock

Em situações de estresse, o cortisol instrui nosso corpo a direcionar a energia necessária para nosso cérebro, músculos e coração. “O cortisol pode ser secretado por impulso – você se sente bem e de repente algo acontece que o coloca sob estresse e seu corpo começa a produzir mais do hormônio”, explica Adrian Ionescu, chefe do Laboratório de Dispositivos Nanoeletrônicos da EPFL (Nanolab).

Geralmente secretado ao longo do dia de acordo com um ritmo circadiano, com pico entre 6h e 8h, o cortisol diminui gradualmente à tarde e à noite. “Mas em pessoas que sofrem de doenças relacionadas ao estresse, esse ritmo circadiano é completamente alterado”, diz Ionescu.

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“Se o corpo produz cortisol em excesso ou não o suficiente, isso pode prejudicar seriamente a saúde de um indivíduo, podendo levar à obesidade, doenças cardiovasculares, depressão ou esgotamento”, completa o pesquisador.

O patch desenvolvido pelo Nanolab da EPFL contém um transistor e um eletrodo feito de grafeno, que possui alta sensibilidade e limites de detecção muito baixos. Esse é o primeiroi sistema desenvolvido para monitorar as concentrações de cortisol continuamente ao longo do ciclo circadiano.

“Essa é a principal vantagem do nosso dispositivo. Como ele pode ser usado na pele, cientistas podem coletar dados quantitativos e objetivos sobre certas doenças relacionadas ao estresse de maneira não invasiva, precisa e instantânea”, afirma Ionescu.