EnglishPortugueseSpanish

Desde o início da pandemia de Covid-19, cientistas tentam entender se o uso de plasma de convalescentes da doença pode ser útil para tratar pacientes que ainda estão lutando contra o vírus. Agora, um dos maiores ensaios clínicos chegou à conclusão de que o tratamento não se mostrou eficaz no combate ao coronavírus.

Chamado de Recovery e conduzido pela Universidade de Oxford, o estudo começou em maio de 2020 e agora deixou de recrutar voluntários após a conclusão de que não evidências convincentes para continuar com os experimentos.

publicidade

Os experimentos foram realizados com 10.406 pacientes hospitalizados e randomizados em dois grupos: os que receberam o plasma de convalescentes e os que receberam apenas o tratamento convencional. Foram 1.893 mortes acompanhadas, sem diferença significativa entre os dois grupos.

Entre aqueles que receberam o plasma de convalescentes, a mortalidade de 28 dias foi de 18%. Entre quem não recebeu o tratamento, o percentual foi exatamente o mesmo, de 18%, indicando que, na prática, não há qualquer vantagem em usar o plasma em pacientes hospitalizados.

O comunicado ainda aponta que o Recovery continuará realizando outros experimentos para descobrir tratamentos eficazes contra Covid-19. Outras drogas que continuam em testes são o tocilizumab, colchicina, o coquetel de anticorpos da Regeneron e a famosa aspirina.

O plasma de convalescentes, para quem não está familiarizado, tem como premissa tentar utilizar a resposta imunológica de alguém que já se curou da doença para tratar outra pessoa que ainda esteja enfrentando o vírus. Funciona praticamente como um “transplante de anticorpos” do sangue de um paciente para outro.

publicidade

Isso significa que, para conduzir um experimento dessa escala, os pesquisadores precisaram de muitas doações de sangue. Peter Horby, professor da Universidade de Oxford e responsável pelo Recovery, agradeceu o esforço. “Esse foi o maior estudo com plasma de convalescentes já visto, e só foi possível graças às generosas doações de plasma de pacientes recuperados e a disponibilidade dos voluntários em contribuir para o avanço da medicina. Devemos a eles gratidão. Apesar de o resultado geral ter sido negativo, precisamos aguardar os resultados completos antes de entendermos se o plasma de convalescentes tem algum papel em particular em subgrupos de pacientes”.