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O Ministério da Saúde investiu cerca de R$ 70,4 milhões na produção de comprimidos de cloroquina, segundo documentos obtidos pela Folha de S.Paulo. O medicamento que não tem eficácia comprovada contra a Covid-19, de acordo com estudos.
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O dinheiro é parte do valor direcionado à pasta por uma medida provisória (MP nº940) assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que destinou R$ 9,44 bilhões em créditos ao ministério para fins de combate à pandemia do novo coronavírus.
A Fiocruz, que é filiada à pasta, recebeu R$ 457,3 milhões desse dinheiro.

Os ofícios associados à produção dos remédios, enviados ao Ministério Público (MP), afirmavam que as medicações eram destinadas a pacientes infectados com a Covid-19. Entretanto, o texto dos documentos não detalhou os gastos específicos do dinheiro destinado, mostrando apenas uma anotação dizendo “produção de medicamentos” atrelada ao valor total despendido.
Segundo a Fiocruz, a produção dos remédios ineficazes não impactou os esforços de pesquisas e testes de imunizantes como as vacinas atualmente em curso por todo o mundo. A entidade afirma que são duas áreas distintas. Vale lembrar que a Fiocruz é a entidade responsável pela importação e produção da vacina desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford.
Questionado pela publicação, o instituto Faranguinhos, responsável pela produção da cloroquina e tamiflu, afirmou na última sexta-feira (5) que só produzia medicações para uso conforme prescrito em sua bula. No caso da cloroquina, o órgão afirmou que a produção seria para o estoque de medicamentos combatentes à malária e outras doenças – e não para a Covid-19.
“Farmanguinhos produz cloroquina somente para o que está previsto em sua bula. A bula descreve que a cloroquina é indicada para profilaxia e tratamento de ataque agudo de malária e no tratamento de amebíase hepática, artrite, lúpus, sarcaidose e doenças de fotossensibilidade”, disse o instituto em nota, na ocasião.

Após a divulgação dos novos documentos, o jornal voltou a procurar a Fiocruz, que reafirmou o posicionamento: “Farmanguinhos não produziu em 2020 ou está produzindo o referido medicamento para outras indicações”. A entidade ainda afirmou que o Ministério da Saúde poderia fazer tal pedido, mas isso não ocorreu.
Por sua vez, o Ministério da Saúde afirmou, em nota, que a aquisição da cloroquina acabou não finalizada, e o tamiflu seria usado para tratamento de outro vírus – o influenza: “Ao atuar no tratamento da influenza, ele favorece a redução da sobrecarga ao sistema de saúde em função do aumento de doenças respiratórias.”
Nenhuma das entidades, porém, explicou o motivo de usar os recursos financeiros obtidos pela MP, que seriam específicos para a Covid-19, em outras doenças.
Fonte: Folha de São Paulo