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Segundo a hipótese atualmente mais aceita, a extinção em massa de 75% das espécies de animais e plantas da Terra, incluindo os dinossauros, no final do período Cretáceo (Extinção K-Pg) foi causada pelo impacto contra nosso planeta de um asteroide com tamanho entre 10 a 15 km de diâmetro, 66 milhões de anos atrás.

Originalmente proposta pelo cientista norte-americano Luis Alvarez e seu filho, Walter Alvarez, na década de 80, ela ganhou força na década de 90 quando a cratera resultante do impacto, com 180 km de diâmetro, foi encontrada na fronteira entre a península de Yucatán e o Golfo do México. Hoje ela é conhecida como Cratera de Chicxulub

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Cientistas acreditam que o asteroide era do tipo Condrito Carbonáceo, um dos mais primitivos entre os conhecidos. Mas este tipo de asteroide é raro no cinturão de asteroides entre Júpiter e Marte. Ele é mais comum entre os objetos da Nuvem de Oort, um grupo de asteroides, planetesimais e cometas que circunda nosso sistema solar, orbitando a uma distância entre 0,03 e 3,2 anos-luz de nosso sol.

Ilustração mostrando a distância entre a Nuvem de Oort e o sistema solar interior
Ilustração mostrando a distância entre a Nuvem de Oort e o sistema solar interior. Cada distância indicada na parte de baixo da linha é 10 vezes maior que a anterior. A seta vermelha indica a posição da sonda espacial Voyager 1, lançada em 1977. Imagem: Nasa / JPL-Caltech

Mais especificamente, a composição é comum entre os cometas de longo período, que levam de 200 anos a milhares de anos para completar uma volta ao redor do Sol. Ao estudar a taxa de impacto de asteroides em exoplanetas semelhantes à Terra, Amir Siraj, um graduando em astrofísica em Harvard, decidiu calcular também a taxa de impacto de cometas, e realizou simulações numéricas para calcular o fluxo de cometas de longo período em nosso sistema solar.

“O que eu encontrei de mais impressionante foi que uma fração significativa de eventos em que um cometa cruzava a órbita da Terra era diretamente precedida por um encontro próximo com o Sol, algo que ocorre em uma classe de cometas presos em órbitas altamente excêntricas devido a suas interações gravitacionais com o sistema composto por Júpiter e o Sol”.

Estes cometas são conhecidos como “Sun Grazers”, e estima-se que 20% dos cometas de longo período se transformam neles. Um Sun Grazer com tamanho entre 10 e 60 km seria despedaçado pela força gravitacional do Sol, de forma similar ao que aconteceu com o cometa Shoemaker-Levy 9 quando colidiu com Júpiter em 1994.

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Foto mostra fragmentos do cometa Shoemaker-Levy 9 em rota de colisão com Júpiter, em 1994. Cometa semelhante pode ter causado a extinção dos dinossauros
Fragmentos do cometa Shoemaker-Levy 9 em rota de colisão com Júpiter, em 1994. Imagem: NASA, ESA, and H. Weaver and E. Smith (STScI)

Segundo Siraj “descobri que estes eventos acontecem com tanta frequência e produzem um número tão grande de fragmentos que resultam em uma taxa de impacto de objetos do tamanho de Chicxulub com a Terra que é uma ordem de magnitude maior do que a de outros asteroides ou populações de cometas”, disse o pesquisador ao site Ars Technica.

“Isto é interessante, pois de um ponto de vista estatístico o impacto K-Pg não condiz com as taxas de impacto de outros asteróides ou populações de cometas, mas é consistente com a taxa que calculei para esta nova interação dinâmica”.

Segundo Sriraj e Avi Loeb, coautor do estudo, fragmentos de Sun Grazers atingem a Terra periodicamente, a cada 250 mil a 730 mil anos. Esta periodicidade coincide com a idade de outras crateras na Terra, como a Vredefort na África do Sul (formada há 2 bilhões de anos) e a Zhamanshin no Cazaquistão, formada no último milhão de anos.

Os pesquisadores esperam realizar observações futuras usando o observatório Vera Rubin no Chile, que entrará em operação no ano que vem, para confirmar sua teoria, esperando que os dados mostrem evidências de cometas sendo despedaçados pela influência gravitacional do Sol.

“Deveremos ver fragmentos menores vindo da Nuvem de Oort para a Terra mais frequentemente, disse Loeb. “Espero que possamos testar esta teoria tendo mais dados sobre cometas de longo período, estatísticas mais precisas e, talvez, vendo evidência de fragmentos”, afirma.

Fonte: Ars Technica

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